Das 7 da manhã até 23h na piscina. Vida de playboy?

A terceira escola de natação do Brasil nasceu em Novo Hamburgo. O nadador, Educador Físico e professor Elio Becker lançou-se ao desafio em 1976 e criou o Centro de Natação e Reabilitação Golfinho, aqui no bairro Rio Branco. Formado pela UFRGS, ele estudou na Universidade de Colônia, na Alemanha, é pesquisador e um ícone do esporte na cidade e entre os aliancistas mais vividos, principalmente.

Professor Elio Becker, nadador que tornou-se Educador Físico e especialista em reabilitação.

Você foi treinador de uma equipe de natação que orgulhou nossa cidade.

Tivemos bons nadadores na Sociedade Aliança e desenvolvemos um trabalho sério e com bases científicas. Obtivemos resultados e projeção, e eu trabalhava muito duro naqueles tempos. Duro mesmo. Lá pelos idos de 69, começava às 5 horas da manhã e ia até às 23 horas. Treinava a equipe do Aliança, dava aulas particulares, trabalhava em colégios. Colocamos a natação hamburguense num patamar bem alto.

Apto 3 dormitórios
Jorge Trenz
 E a terceira escola de natação do país foi pensada no meio deste processo? 

Se eu tivesse condições financeiras na época, possivelmente eu teria sido a primeira escola de natação do Brasil. Mas a primeira surgiu em São Paulo, a segunda em Porto Alegre e então veio a Golfinho. Já tinha pedido uma força para o meu pai, mas ele não acreditava no esporte e menos ainda no projeto. Queria que eu fizesse administração e fosse trabalhar na empresa em que ele era diretor, imagina. Tive que ir à luta.

Qual era o seu objetivo, visto que naquele momento era um segmento novo? 

Eu queria padronizar um trabalho, projetar atletas, chegar a resultados melhores. Depender de diretores, presidentes, complicava muito. Cada vez que mudava uma diretoria, mudava totalmente o interesse, a ideia. Aquilo não servia à minha expectativa de professor, nem de técnico de natação. Já tinha ideia, também, de ser dono do meu nariz.

Seu nome sempre foi uma referência das piscinas. Como construiu sua carreira?

Sempre procurei e procuro ser o melhor naquilo que faço. Não quer dizer que eu seja mais do que alguém, apenas é minha expectativa em relação a mim mesmo. Isto me fez estudar, estudar e estudar. Fui pesquisador em fisiologia e biomecânica e, quando fundaram o laboratório de pesquisa da UFRGS, o Lapex (Laboratório de Pesquisa do Exercício), o Dr. Eduardo de Rose, que depois foi Presidente da International Federation of Sports Medicine, com mais de 120 países integrantes, e membro das comissões médicas do COI e do COB me convidou para trabalhar com ele. Nunca parei de estudar.

Metodologia orgânica e funcional são alguns diferenciais da Golfinho.

É por isto que, nos últimos anos, tem se voltado mais para o trabalho de reabilitação?

Também. Estudar o corpo humano é excitante, uma atividade muito rica e complexa. Eu adoro e tenho feito um trabalho extraordinário com joelhos, coluna, ombros, todo tipo de lesão muscular e, também, no pós-operatório. Sempre dentro da água, claro. As atividades da escola continuam com alta qualidade técnica e humana, mas eu, realmente, tenho me dedicado mais à reabilitação.

Por que escolheu o bairro Rio Branco para colocar seu negócio? 

Eu idealizei a escola aqui no bairro desde o início, porque era um lugar bom, onde, na época, não havia problemas de estacionamento, ficava perto do centro e o acesso das pessoas de outros bairros também já era fácil. Agora é ainda mais fácil. Comprei a casa que estava sobre este terreno com o resultado de 3 anos de trabalho desenvolvido em Carazinho, mais um empréstimo bancário. Construí a primeira piscina e ela logo me deu um baita susto.

Que susto foi esse? 

Descobri que eu precisaria de 160 alunos para pagar tudo o que eu tinha que pagar. Se não tivesse 160 alunos eu estaria morto. Quando eu abri a escola em outubro de 1976, tinha exatamente 150 alunos esperando vaga. Abri a escola com 300 alunos, que era a minha capacidade. Eu entrava às 7 horas da manhã na piscina e saía as 9:30 horas da noite, direto. Tinha uma hora para comer alguma coisa ao meio dia e voltar para a piscina.

A natação é a prática mais bem recomendado do mundo em benefícios.

Que características o Elio Becker destacaria no bairro?

Quando eu era gurizão, esse bairro já tinha um comércio diversificado, com indústrias de calçados, curtume, Casa Cavasotto, enfim, marcas muito fortes da indústria e do comércio. Atualmente, é um lugar absolutamente integrado ao sistema de Novo Hamburgo, além de te dar muita independência. É um local de progresso.

 

 

 

 

 

 

 

 

2 thoughts on “Das 7 da manhã até 23h na piscina. Vida de playboy?”

  1. Realmente é muito bom ter esses registros, de pessoas que fazem algo tão grandioso por si mesmo e também pelos outros capacitando para que venham a ter sucesso na vida.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *