Pedras no sapato fizeram empresário mudar o rumo e virar sucesso

Ele transformou a desesperança em vistosas peças decorativas. Ítalo Holzbach nos mostra como a arte de ser transcende em muito a efêmera sensação de poder. Exportador de calçados para redes internacionais como Walmart e Payless em áureos tempos, perdeu clientes e mercados para a competitividade de alta voltagem dos chineses. Acabou, assim, criando a Rosa Tropicana, no bairro Vila Rosa.

Ítalo conseguiu associar prazer ao trabalho e isso faz com que tenha energia para continuar produzindo

“Quando deu o baque no sapato eu vendia bastante para os Estados Unidos. Viajei para lá, tentando defender minhas posições. Numa noite fui jantar com o pessoal do Walmart. Ao meu lado, sentou-se um americano e a gente começou a conversar. Perguntei a ele o que fazia: – Estou fazendo pedras, ele disse.

Como assim, fazendo pedras? Eram pedras decorativas, fakes, explica Ítalo. 0 americano propôs que trouxesse a novidade para o Brasil. “Olha, estou envolvido no sapato, não tem nada a ver pedra com sapato.” Trocaram cartões e Ítalo voltou para Novo Hamburgo. Passados uns cinco anos, o dragão tomou conta de 100% dos negócios do empresário. Aí não teve mais jeito.

“Não tinha clientes na Europa e minha carteira era de varejistas que vendiam artigos de preço baixo.” A história de Holzbach era com o sapato, como quase toda Novo Hamburgo. Lembrou-se, então, do sujeito que lhe propusera produzir pedras no Brasil! Ligou para ele e conseguiu, aqui, um sócio para iniciar uma nova história. Adquiriram a matrizaria e a tecnologia necessária do americano e começaram a produzir.

No primeiro mês venderam 600 metros de pedra, logo saltaram para 800 e chegaram a 1.000 metros. Mas o negócio não se mostrou tão promissor quanto imaginado. “Depois de 3 anos pensei que teria que mudar novamente de mercado. Foi quando o mundo me fez ver um outro nicho na decoração: os vasos.”

Ítalo nunca fizera vasos, mas também não fizera pedras até se obrigar a fazê-las. “Contratei dois sujeitos para trabalhar, mas combinava com eles às 6h45 e eles chegavam às 8 horas. Aí contratei um pessoal que fazia vasos no Portão. Mesmo problema, era impossível depender 100% da mão de obra.”

Os vasos exercem um papel importante no contexto paisagístico.

A solução foi empregar o processo adotado no início, com as pedras. Chamou um matrizeiro, estudaram como viabilizar as matrizes para que qualquer pessoa pudesse tocar a produção e deu certo. Olhando melhor o mercado, Ítalo percebeu que não tinha ninguém ofertando esse produto no Brasil e se expandiu. Virou um sucesso.

Arquitetos famosos do Rio e de São Paulo descobriram o trabalho do hamburguense e começaram a procurá-lo. “Paulo Lúcio é um cara que faz somente hotéis e atende a rede Maksoud Plaza. Ele disse: impressionante o que tu estás fazendo, porque até agora, se eu precisasse comprar 50 peças, não encontraria iguais. Fiquei tão empolgado que mandei um vaso para ele de presente. Ele colocou ao lado da sua cadeira de descanso.

A Rosa Tropicana entrega em todo o país e atende principalmente sob encomenda, pois tem uma cartela de 700 cores. O cliente escolhe o modelo e a cor que se adequa ao seu projeto ou gosto pessoal. Em 5 dias úteis o produto está pronto. Junto à fábrica há um showroom com pronta-entrega.

Vasos de modelos diferenciados e com cores especiais garantem que o ambiente deixará de ser comum.

A escolha do bairro Vila Rosa para empreender não foi planejada, afirma, mas considera que, geograficamente, o lugar é muito bom. “Quem se desloca para Estância Velha, Ivoti, Dois Irmãos, passa pela região. Numa ocasião resolvi fazer um controle de quantos carros passam aqui na rua. Dá 700 carros por hora. O estacionamento é fácil e consigo fazer do meu ponto uma publicidade permanente. Tenho vendido bem para médicos de Porto Alegre que trabalham no Hospital Geral.”

Perguntei quais características do bairro Vila Rosa ele destacaria. “Para os moradores é muito prático. Tem hospital, 2 supermercados, postos de gasolina, academia pública, é silencioso, próximo do Centro. No momento ele está completo.” Mas na sua opinião, deveria-se evitar mais asfalto e plantar mais, pois tem muitos lugares sem árvores. “O problema maior é quando dá essas enxurradas e o arroio lá embaixo transborda.”

9 thoughts on “Pedras no sapato fizeram empresário mudar o rumo e virar sucesso”

  1. Parabéns pelo editorial de hoje. Alias todos tem sido interessantes, conhecemos histórias de pessoas que muito contribuem para nossa cidade. E também matou minha curiosidade sobre os vasos que via expostos ali na 24 de maio.😊

  2. Comprei vasos do Italo e levei para a praia. Mesmo com sol, chuva, maresia, depois de 2 anos, estão como novos. Excelente produto. Recomendo.

  3. Parabéns Ítalo. Lembro bem das exportações pela Golden Export, onde tive o prazer de trabalhar e aprender muito. Fico feliz em te ver fazendo sucesso em outro seguimento. Abraços amigo.

  4. Meus parabéns para o Sr ítalo que não deixou de acreditar ,que mesmo mudando de ramo nos negócios foi possível reagir ao mercado e parabéns por mais essa matéria que é motivadora para todas as pessoas, sejam empresários ou não.

  5. Muito interessante a história do Sr.Ítalo!Exemplo de garra e determinação.Diante da crise econômica que estamos enfrentando em todo nosso país, é preciso reiventar-se e seguir em frente.Parabéns Jorge pela matéria, são exemplos como este,que motiva as pessoas a não deixaram de acreditar em si mesmas, que sempre há um novo caminho,uma nova oportunidade, um novo dia!…

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