Da desatenção ao centro das atenções. O novo papel da Praça Punta del Leste

Com certeza está bem viva na sua memória a visão proporcionada pela Praça Punta del Este até poucos anos atrás. O abandono a que foi relegada a área serviu como chamariz para drogados e deu liberdade de ação para pichadores, vândalos e todas as categorias de pessoas dispostas a degradar os bens públicos e intoxicar o ambiente social com suas práticas deploráveis.

Revitalizada, a praça tornou-se um lugar aprazível e frequentado

Inaugurada em 25 de maio de 1989 como uma retribuição da nossa cidade à homenagem prestada pelo balneário uruguaio de mesmo nome, que desde 1960 possui uma rua batizada de Calle Novo Hamburgo, a Praça Punta del Este viveu anos dramáticos, principalmente após a construção do elevado metroviário. Localizada bem em frente ao Bourbon Shopping, o espaço transformou-se numa vergonha municipal.

Finalmente, em 2017, a prefeitura conseguiu sensibilizar a Trensurb para que cumprisse o compromisso de revitalizar a praça. O local recebeu serviços de ajardinamento, pintura, instalação de decks e outras melhorias. Devolvida à população em condições de uso, limpa, segura, atraente e reurbanizada, foi ocupada por quem realmente tem direito sobre ela: os cidadãos.

A praça ganha destaque como ponto de encontro para manifestações diversas

A praça voltou à vida e virou “point”. Hoje ela é referência para ações diversas, que vão do lançamento de campanhas sociais (trânsito, vacinação, etc) a ponto de encontro de grupos que querem promover a cultura ou manifestar suas opiniões. Você já pode até sentar-se ali para ler um livro. Esperar o namorado, a namorada. Pensar na vida. Ver o tempo passar, simplesmente, com suas belezas e surpresas. É outro lugar no mesmo local.

Entretanto, “temos que aproveitar com responsabilidade”, alerta Marli, da Comur. Ela é responsável pelas plantas e diz que a população deve se apoderar do espaço e cuidar dele. “Não pode trazer seu pet para fazer xixi nas plantas. E tem gente da vizinhança que faz isso, por incrível que pareça.” Ela salienta que os bichinhos, quando vão cobrir as necessidades estragam as plantas. “Também tem gente que senta nos espaços ajardinados, sobre as plantas.”

Marli, da Comur, trata com carinho da manutenção das plantas

Guardadas as proporções, vejo a Praça Punta del Este ganhar uma importância similar a da esquina democrática, na capital. Todo mundo sabe onde é e o lugar é de todos. Mas precisamos mantê-la e melhorá-la, não deteriorá-la novamente. Se foram-se os vândalos, que venham as pessoas de bem, com seu chimarrão e suas cadeiras, suas ideias e seus sonhos.

Tenho defendido, desde que iniciei o blog, que os guardiães da cidade somos todos nós. Aqueles que a habitam e aqueles que a administram. A formação da atual ocupante do poder executivo, a prefeita Fátima Daudt, felizmente nos faz compartilhar da mesma visão.

Isto me incentivou a aprofundar o entendimento sobre a questão e propor o tema “meio ambiente cultural” para trabalhar neste ano. Prontamente, recebi a atenção e a orientação da procuradora do município, Cinara de Araújo Vila, que se dedica a estudar e aprimorar a convivência entre as pessoas e a cidade, seus monumentos, sua história, sua cultura, sua evolução. Uma abordagem riquíssima, que continuaremos explorando aqui, olhando sempre para nossa Novo Hamburgo.

Fotos: Arquivo pessoal

 

6 thoughts on “Da desatenção ao centro das atenções. O novo papel da Praça Punta del Leste”

  1. Perfeita a tua abordagem, Jorge. Concordo totalmente com tua reflexão sobre o espaço e a responsabilidade que temos com ele e com a cidade. Parabéns

  2. Achei que a reforma, tudo que foi feito, valeu a pena para o bem da comunidade.As plantas deram um toque especial. Cabe a nós, comunidade, cuidar deste lugar.

  3. As áreas públicas moldam os laços comunitários nos bairros, no centro. É um privilégio ter a Praça Punta Del Este como cenário de movimento e cor. Parabéns, Jorge, pela abordagem tão importante e interessante.

  4. “Quando nos referimos às ruas e demais espaços públicos de uma cidade, em realidade, estamos falando da própria identidade da cidade. É nesses espaços que se manifestam as trocas e relações humanas, a diversidade de uso e a vocação de cada lugar, os conflitos e contradições da sociedade”, explica Lara Caccia, Especialista de Desenvolvimento Urbano do WRI Brasil Cidades Sustentáveis e Mestra em Geografia, em sua dissertação: “Mobilidade urbana: políticas públicas e apropriação do espaço em cidades brasileiras”. Destaco essa passagem porque confere com o conteúdo do blog. Parabéns!

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