A cultura da confiança na base do negócio – Mandão e Mandinho, pai e filho, passado e futuro

O projeto “Empreendendo nos bairros” foi ali no São José visitar o amigo de mais de 4 décadas, Paulo Roberto Feiten, o Mandão! Ele trabalhou com carnes a vida toda, fez amigos e clientes nessa jornada e até virou marca registrada. Seu apelido saiu da vila, se fez reconhecido e admirado pelos arredores, e voltou pra casa para esperar os clientes, junto do Mandinho. É assim que vamos desenvolvendo a história e nos desenvolvendo nesta cidade.

Pai e filho se aliaram no negócio e seguiram o espírito empreendedor da família

Em tempos nem tão distantes imperavam aqui valores que, atualmente, caíram em bastante desuso, mas não deixaram de ser referência para muitos que vivem e trabalham aqui. O traço aparece bem marcado na história desta família.

A veia empreendedora tem origem no pai do Mandão, que com 2 irmãos e um cunhado, na década de 60, fundou um matadouro. Não havia água nas redondezas e na empresa tinha um poço que reunia uma gurizada em volta. “Era um dos primeiros poços com uma bombinha da região. Eu não queria deixar os guris pegar água, aí botaram o apelido de Mandão.”

Do matadouro os sócios evoluíram para o açougue, que depois fez a fama do Mandão e transformou o apelido numa referência na cidade e na região. “A propaganda boca a boca ajuda muito, mas dá um trabalhão. Fazer e manter o nível de qualidade é o que se propaga, na verdade. Mas o Mandão ajudou.”

Em seis meses o Mandinho Burguer virou “point bacana” para clientes de toda a região

“Paulinho, quando completou 1 ano de Gastronomia na Feevale, quis fazer cachorro quente com uma bike food. Compramos a bicicleta, estávamos com 60% do projeto pronto. Aí ele pegou uma sobra da costela recheada que fazíamos – tinha churrasco todos os dias no açougue – e preparou hambúrgueres. Adoramos. Depois, fez na festinha de uma colega. A gurizada também gostou e deu o brilho.”

No primeiro evento que o Mandinho foi fazer fora, um temporal feio se armou. “Um pé de vento arrancou toda a estrutura do local, e ele tinha comprado as coisas… E agora, pai?” Mandão sugeriu fazer no açougue e a família entrou em ação, todos ligando e convidando amigos. A estratégia funcionou. “Pensa num domingo frio, relembra. Mas as pessoas vieram e ele vendeu 121 hambúrgueres.”

Apto 3 dormitórios
Jorge Trenz
  “Na terça-feira já avisei o pessoal do churrasco. Semana que vem é hambúrguer. Quem vier, já sabe. O pessoal comeu e gostou. Na semana seguinte ele fez 25, depois 28 e foi crescendo. Quando fizemos 100 numa terça-feira foi uma loucura.” Com a aceitação crescendo, abriram na sexta. Vendeu mais que na terça. Logo, terça e sexta não supriam mais, então, passaram a abrir também nas quartas-feiras.

Mandão faz questão de salientar: “O negócio é todo dele, os méritos são todos dele. O que ele precisou no começo foi um pouco do nome. Mas hoje já tem os próprios clientes, que vêm de toda a região, de Porto Alegre a Gramado.” Ao pai cabe a compra e seleção dos produtos e o caixa.

Mais de 500 hambúrgueres são produzidos e a cozinha é aberta ao público

Desde o tempo do churrasco, no Mandão valia a palavra. Havia um caderno onde o cliente anotava o que havia pego. Hoje, marca-se apenas as comandas do hambúrguer, para controle. Cerveja, refrigerante, sorvete, chocolate, o cliente indica o que consumiu quando vai pagar. Nada é anotado.

Perguntei se o São José é um bom bairro para empreender. ”Acredito que sim. Eu só lamento que alguns proprietários de imóveis não investem em cima, deixam tudo atirado. Isso joga contra o bairro. Espaço para empreender, tem. O que está precisando é dar uma repaginada. Pra gente seria muito bom que tivessem outros negócios na volta. O bairro é bom, nunca tive problemas com segurança.

No açougue, Mandão mudou sua maneira de trabalhar com carne. Está focado em cima de carne para churrasco. “Não tenho mais a carne do dia-a-dia. Tanto é que não tenho mais balcão, meu produto está todo na câmara fria, não tenho expositor. Meu espaço é diferente!

Fotos: Divulgação

11 thoughts on “A cultura da confiança na base do negócio – Mandão e Mandinho, pai e filho, passado e futuro”

  1. Muito bacana a história. Já ouvi falar muito (bem) deles, mas não conheço pessoalmente.
    Legal ouvir histórias de empreendimentos que, apesar das dificuldades, foram investidos com esforço pessoal e criatividade, característica tão brasileira.
    Parabéns por mais esta matéria!

  2. Basta ter vontade de vencer , ai é so começar e tornar o cliente como amigo é muito importante e quando se trabalha com amor , honestidade isso vem acrescentar e muito no negócio , parabéns.

  3. Bha! !Que legal a matéria! Parabéns ao Mandão e sua equipe!Lembro-me que buscavamos lanches ,carnes para os os eventos da EMEF.Rodrigues Alves!Foram mais de 14 anos assim,nosso ponto de referência no Bairro São José!

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