Quando tínhamos ritmo chinês.

Diz a sabedoria popular que “Quem vive de passado é museu”. Mas como somos Novo Hamburgo, este é um assunto recorrente aqui no blog. Já contamos muitas histórias e temos muitas outras para contar, de pessoas como Dalvis Augusto Melo, da Millforross, empresa com 21 anos de atuação.

Dalvis quando chegou em Novo Hamburgo, ficou impressionado com a rapidez que as coisas aconteciam por aqui.

Nascido em Nova Bréscia, berço de churrasqueiros que se espalharam pelo país, a família de Dalvis mudou-se para Arroio do Meio quando ele contava 6 meses de vida. “Tive muitas dificuldades na infância: para estudar era longe e o acesso era difícil. Morávamos bem no interior mesmo.”

Era comum, na época, as pessoas permanecerem por anos numa empresa. Dalvis exagerou um pouco: “Trabalhei numa empresa só, a Costaneira Materiais de Construção. Comecei em Lajeado, passei por várias filiais e, com 22 anos, fui gerenciar a loja de Taquari. 2 anos depois, me transferiram para Novo Hamburgo.”

Ficou chocado na chegada. Era o ano de 1983, a cidade crescia a passos largos, empregos pipocavam e o ritmo de tudo parecia alucinante, principalmente, se comparado ao de Taquari, lembra ele. Talvez não fosse o ritmo dos chineses, mas é um comparativo que dá ideia aos mais novos, de como já fizemos a diferença. E, tenho certeza, voltaremos a fazer.

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  “Aluguei um apartamento e, belo dia, levantei de manhã e os caras estavam aplicando asfalto em frente ao meu prédio. De noite, quando cheguei em casa já estava pronto. Era uma rapidez incomum para mim.” O empresário conta que trabalhou na filial de Novo Hamburgo por 18 anos. Numa apresentação de produtos, ouviu do palestrante que o que iria crescer muito na terra do sapato era forro para a construção civil.

Ali a veia empreendedora se manifestou e surgiu a ideia de abrir a própria empresa. “Eu passei por todos os cargos dentro da Costaneira e sempre me destaquei foi no comercial. Resolvi arriscar, em companhia do meu amigo Tadeu. Fizemos a sociedade.”

Millforros: soluções práticas e inovadoras em transformação de ambientes.

Como aconteceu com quase todos os empreendedores que já conversei, o início foi dureza. Mas os sócios da futura empresa aplicaram, naquela época, alguns conceitos difundidos hoje. Fizeram uma pesquisa de mercado, se organizaram com reuniões semanais de planejamento e, no mês de março de 1997, após o retorno das férias, Dalvis, nas suas palavras, “pediu as contas” do emprego de tantos anos.

“Eu conhecia alguns tipos de forro, na época de PVC estava no auge. Logo depois chegou o gesso acartonado.” O início da empresa foi numa peça de 100 m². Mas logo o espaço ficou pequeno e os sócios precisaram arcar com 6 meses de aluguel que faltavam para o encerramento do contrato de locação. Mudaram-se para um pavilhão de 800 m².

O conhecimento comercial ajudou na percepção que ajudou a marca a se diferenciar no mercado. Dalvis percebeu que seus clientes não tinham tempo. Passou a atendê-los em horários especiais, ou seja, adaptou-se às necessidades dos mesmos. Mais uma lição apregoada fortemente hoje em dia, que ele aplicou lá atrás.

“A Millforros começou com nada, apenas com o dinheirinho da rescisão. Eu fazia os orçamentos, vendia, pegava o material no atacado e instalava. E assim foi nos primeiros 6 meses, até que tivemos que fazer a mudança para o novo local, onde permanecemos por 4 anos. Surgiu, então, a oportunidade de comprar o prédio onde estamos estabelecidos até hoje. Este imóvel foi um grande sonho realizado.”

Sede própria junto à BR-116.

Hoje a Millforross atende a grande Porto Alegre, o Vale do Paranhana, toda a região da serra, Alto Taquari. Fora do estado, tem obras no Paraná, em São Paulo e no Maranhão. “A Millforros tem estrutura para atender as exigências dos shoppings. Fizemos obras da Arena do Grêmio e do Beira-Rio. A maior virtude da Millforros é a capacidade de começar e entregar uma obra”, orgulha-se.

O bairro Rio Branco é um bom lugar para empreender, eu pergunto. “Sim, é um bairro com bastante mão de obra, de fácil acesso, tem espaço. O que está faltando é mobilidade. Está demorando o projeto que deve estar no Dnit para que as pessoas que vêm da região de Estância Velha, Ivoti, Dois Irmãos, Sapiranga possam chegar nesse lado da cidade. Isso valorizaria tudo, imensamente”.

Dalvis acredita que Novo Hamburgo teria um grande empuxo se criasse o distrito industrial que, nas palavras dele, ficou sempre na promessa. “Não tem crescimento se não tiver indústria para empregar. As empresas de calçado saíram e não foi feito nada”, finaliza.

Fotos: Divulgação

 

A morte no espelho.

Este é o último capítulo da série sobre o Meio Ambiente Cultural, que fiz para a Revista Expansão, um tema que nos possibilitou abordagens interessantíssimas durante o ano. Para encerrar, fui conversar com o Gilberto Franceschetti, do Grupo Krause, sobre cemitérios, o apelo cultural e emocional que exercem nas sociedades ocidentais e sobre como ele vê o futuro destes espaços.

Gilberto Franceschetti, quarta geração no comando da Krause.

A forma como lidamos com a morte veio se transformando com o decorrer do tempo. E nossa relação com os cemitérios mudou também. Nós, ocidentais, mantemos uma ligação profunda com a cultura do cemitério. No Brasil, muito apegado as suas raízes, essa relação é ainda mais intensa. O cemitério é nossa referência para homenagear os que já partiram. O formato tradicional vem, sim, perdendo espaço no mundo, afirma Gilberto, mas nunca vai deixar de existir.

“Túmulos monumentais, cemitérios-jardins ou verticais, isso tem cada vez menos relevância. No passado, construíam-se mausoléus como forma de demonstrar o poder das famílias. Existem verdadeiras obras de arte em cemitérios mundo afora, algumas valendo milhões, outras tombadas pelo Patrimônio Histórico. Mas queremos as coisas cada vez mais rápidas, o desapego é grande. A morte também vem sendo atropelada por esta velocidade. E isto está gerando, claro, novas tecnologias e diferentes alternativas.”

Na divisa de Novo Hamburgo e Campo Bom, Krause constrói cemitério vertical de três andares e 6.300 m².

Gilberto diz que já existe, nos Estados Unidos, um processo de decomposição em que o corpo vira adubo. A pessoa não é sepultada ou cremada, ela é colocada num container com algumas matérias, terra, serragem e decompõe organicamente. Os restos mortais viram adubo.

Mas existem as questões filosóficas, que não permitirão que os cemitérios tal qual conhecemos, desapareçam completamente: onde vou reencontrar e chorar por aquela pessoa? Onde ela está?  Na Alemanha, informa Gilberto, existe uma lei nacional de cremação que obriga que as cinzas fiquem dentro do cemitério. “Tu não podes levar para casa, não podes espalhar no lugar preferido do morto.”

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Além do simbolismo, há outros impactos relacionados aos cemitérios. Estudos indicam que o necrochorume proveniente da decomposição dos corpos pode atingir o lençol freático, causando contaminação. “As opções mais verdes, que causam menos impacto, serão as mais procuradas, como os cemitérios verticais ecológicos, que hoje são os únicos que cumprem rigorosamente a Resolução Conama 335, que trata da regulamentação e licenciamento ambiental dos cemitérios.”

Gilberto acredita que a desmistificação da morte e a ressignificação dos cemitérios seja o caminho daqui para a frente. “Estamos construindo, no bairro Canudos, um novo espaço. As pessoas precisam perder o medo de entrar no cemitério. Enxergar o local como um lugar de conhecimento, de história, de desenvolvimento, de paz, acolhimento e lembrança. Precisamos aprender a falar da morte com mais leveza e saber que em algum momento vamos passar por uma perda. Os orientais sabem tratar deste assunto muito bem.”

Grupo Krause: uma empresa familiar com 97 anos.

Muitas mudanças para esses empreendimentos ainda estão por vir, e cada vez mais voltadas para a preservação do meio ambiente. Mas as experiências na visitação representam o principal desafio. “Mostras de arte, caminhadas noturnas, espaços para cursos, aulas de música, etc, são ações que podem fazer com que as pessoas vejam os cemitérios como um lugar mais simpático e compreendam que ali não existe só morte. Também existe vida lá dentro”, conclui.

Colaboração: Cinara de Araújo Vila – Procuradora do Município de Novo Hamburgo.

Fotos: Divulgação

 

Os americanos queriam cebola no lanche!

Mais um ponto de destaque no cenário dos empreeendedores hamburguenses: O Xis da Taquareira. Trago para vocês um pouco da história deste lugar, que como tantos outros, também foi construído com árduo trabalho, especialmente, dos fundadores. Conversei com a sra. Claudete Stein, que assumiu o negócio em 1992, após ser desfeita a sociedade que seu marido saudoso mantinha, antes de vir à óbito, com um ex-colega do King’s Kão.

Taquareira: espécie nativa que virou marca registrada do restaurante.

José trabalhara com o Sr. Almiro – ícone do King’s – por 8 anos. Certo dia, entretanto, pensou que deveria abrir o seu próprio negócio. Associou-se a um colega e partiram para ser donos do próprio nariz. Com a cara e a coragem, fundaram o Mister Dog Lanches. Dna. Claudete tem a data na cabeça. “Foi no dia primeiro de outubro de 1987, há 32 anos.” A clareza na lembrança da data tem seu motivo: “Já éramos casados, minha filha era nascida e morávamos aqui. Foi uma atitude arriscada.”

Dna. Claudete não pertencia à área. Mas durante muitos anos atuou numa distribuidora da Coca-Cola, no Rincão. “De lá vim sabendo administrar. E a faculdade me ajudou muito.”  

O apoio incondicional dos filhos Tatiana e Mateus é determinante para o sucesso do negócio.

Não recordo de algum empreendedor com quem tenha falado que teve vida fácil. Com o Xis da Taquareira não foi diferente. A primeira grande dificuldade: definir um local. “Na época era difícil conseguir um ponto, os recursos escassos. A gente apostou aqui, num terreno alugado. Depois de 10 anos de luta, conseguimos adquirí-lo.” Muitas pessoas não acreditavam no empreendimento. Diziam que não ia dar certo, que duraria no máximo um ano e, depois, fecharia as portas.

A desconfiança não era infundada, pode-se dizer. Não faz muito, o destaque do bairro Vila Rosa era o ex-campo do Esporte Clube Novo Hamburgo. No mais, parecia estar longe de tudo e de todos. A não ser nos dias de jogos. Nesse quesito, afirma Dna. Claudete, marcaram um gol. “Muita gente vinha assistir aos jogos e morávamos em frente, o que para nós foi bom. Afinal, trabalhar não era problema, pelo contrário, era justamente o que mais almejávamos. Também ficamos conhecidos.”

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 Muitas fábricas e companhias de exportação eram atores naquele cenário. “Trabalhava-se muito, pois havia pouca concorrência. Nós íamos das 11h às 23 horas, sem fechar. Depois tinha todo o resto para fazer. Limpar, carregar, preparar. O pessoal acha que é fácil abrir um negócio na alimentação, mas não é. Tem que ser determinado, ter muita persistência. Trabalha-se sábado, domingo, é difícil.”

O cliente, aqui, sempre foi ouvido. No início era só lanches. Quando importadores americanos abundavam em Novo Hamburgo, muitos iam comer lá. E pasme: queriam cebola no lanche. Mas como colocar cebola nos lanches? Era novidade! Foi adotada. A mesma coisa foi a batata frita.

Ambiente espaçoso e moderno agrada jovens e famílias.  

Até no nome os clientes interferiram. O Mister Dog Lanches virou Xis da Taquareira porque eles batizaram assim, chamavam assim. E, de novo, a casa adotou a sugestão. O bairro Vila Rosa é um bom lugar para empreender? pergunto. “Eu acredito que sim. Bairro bom, tranquilo, relativamente plano, de muito fácil acesso, trem perto, shopping perto, padarias, supermercados.. Falta uma farmácia.”

Fotos: Divulgação

 

Trabalhar, dormir, acordar, trabalhar.

Como muitos que fizeram história na Capital Nacional do Calçado, Remídio Klein veio para a cidade atrás de um sonho. Queria ser empresário. Corria o ano de 1982 quando desembarcou por aqui. Contava 19 anos e deixara para trás, na outra ponta da linha de ônibus, o pequeno município de São Martinho, no interior do estado.

Remídio: orgulho de ser hamburguense de coração.

“Quando cheguei, me encantei com Novo Hamburgo. A cidade toda linda, pintada, organizada, foi uma loucura para mim. Tudo limpo, isso foi no auge do calçado! Aí eu pensei: – Nem vou conhecer Florianópolis e Curitiba. Vou ficar. Já se passaram 38 anos e gosto cada vez mais daqui.”

A estratégia de Remídio para ser empresário? Conhecer empresários. E para colocar o plano em prática? “Aí me deu a ideia de trabalhar num banco. Fiz teste em dois e passei nos dois. Escolhi trabalhar no mais admirado e em oito meses fui destacado e me deram as 15 maiores empresas para cuidar. Então, conheci muitos empresários, pessoas extraordinárias, Eu falava dos meus sonhos e eles diziam: – Tem que ter humildade, honestidade. E trabalhar muito.”

Antes de montar a Brindes Novo Hamburgo, o empresário trabalhava 15 horas por dia, ou mais, incluindo sábados, domingos e feriados. Tinha emprego no banco, vendia anúncios da revista Cartaz (lembram dela?) e, à noite, cuidava do setor de cobrança de uma construtora. “Quero reforçar aos que sonham com o sucesso: tu tem que trabalhar muito, não adianta ter dinheiro, formação, se não tiver garra, raça. A determinação é mais importante do que o próprio capital investido. Quem pensa em trabalhar 8 horas tem que ser empregado.

São 32 produtos de brindes que proporcionam mais de 3.000 itens.

A atividade com a revista foi o que deu a inspiração para Remídio criar uma fornecedora de brindes. O envolvimento com marketing e propaganda despertou seu interesse para a área. Ele conta que no início precisava convencer cada cliente de que o brinde é uma ótima ferramenta de propaganda. Hoje, os gestores veem o brinde como um investimento extraordinário e a empresa hamburguense atende mais de 3.000 clientes no Brasil.

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 Prestes a comemorar 30 anos, a Brindes Novo Hamburgo carrega o nome do município como homenagem do seu fundador à cidade que lhe recebeu tão bem. Mas sua retribuição vai além: “participamos ativamente de ações sociais. Onde dá para ajudar, a gente está sempre ajudando. Quando eu  não tinha dinheiro para auxiliar, mesmo com os 3 empregos, todos os sábados de manhã, durante muitos anos, eu e alguns amigos nos vestíamos de palhaço e íamos divertir as crianças em bairros pobres.”

Com sede própria, é a marca mais lembrada do setor no RS.

Questiono se o bairro Pátria Nova é um bom lugar para empreender e a resposta vem pronta: “Eu estou nesse bairro há muitos anos. É um bairro que tem tudo, não falta absolutamente nada. É um bairro excelente para se morar, calmo, tranquilo, próximo do Centro. Para empreender é melhor ainda.

PONTO DE VISTA: Todo fim tem um início!

Lá vamos nós, a caminho de mais um final de ano. Um ano difícil, como têm sido os últimos para todos os brasileiros que trabalham duro para pagar o colégio das crianças, cuidar da saúde, comprar um carro novo ou um imóvel. Isso para não entrar no dia a dia. Mas convenhamos, nem tudo foram ou são espinhos na vida da gente. Tem sempre o que agradecer e comemorar.

Como cidade, inegavelmente, Novo Hamburgo conseguiu dar uns passos adiante. Alguns problemas crônicos foram resolvidos ou tiveram encaminhamento. O centro revitalizado ajudou a erguer a moral da população, que começou a botar a mão e ajudar na solução de outros problemas que o poder público, sozinho, não dá conta. E por aí vai.

Você também, se fizer um pequeno inventário dos últimos meses, vai ver que gramou aqui e ali, mas também conquistou uma coisa ou outra. E eu também. Durante este ano, trabalhei com o tema Meio Ambiente Cultural na revista Expansão e no meu blog, contando sempre com a colaboração da Procuradora do Município de Novo Hamburgo, Cinara de Araújo Vila. Trazendo assuntos interessantes, sempre ligados a Novo Hamburgo consegui fazer crescer exponencialmente o número de pessoas que me acompanham. Mas como o ano, este tema também está se esgotando.

Quero convidar você para a última matéria do ano nesta abordagem. Vamos encerrar falando de cemitérios. Não precisa sentir calafrios. O conteúdo é especial. E no ano que vem, iniciaremos uma nova jornada e um novo tema, que já quero adiantar: alguns viajantes que saem de Novo Hamburgo para o mundo, na sua volta, trarão um Presente de Viagem para nossa cidade.

A proposta é muito interessante.

Vem com a gente!!

Pensando a cidade no futuro do passado.

Miguel Schmitz comandou Novo Hamburgo num período crucial do nosso desenvolvimento. O ex-prefeito mantém o porte elegante e o sorriso afável. Sua memória privilegiada nos levou a um passeio por tempos nem tão distantes, em que o presente que vivíamos incentivava sonhar com o futuro e fazer grandes planos. Seu Miguel, como é mais conhecido hoje, já deu contribuições fundamentais para a expansão e amadurecimento do nosso município.

Miguel Schmitz, atuação permanente na comunidade.

Ele assumiu a prefeitura de Novo Hamburgo em 31 de janeiro de 1973, num período em que surgia a exportação de calçados por aqui. Isso gerou um processo de forte migração para a cidade e um enorme desafio: acompanhar esse surto de crescimento atendendo as demandas de infraestrutura em todos o níveis: educação, saúde, sistema viário. “Foi desafiador” ele diz. “Essa situação gerou um nível de dificuldades enormes para um período muito curto.”

Fazer infraestrutura para uma população que saltou de 80 mil para 120 mil habitantes foi um dos seus grandes legados. E é por isso que temos essa série de avenidas na cidade: como não podia fazer tudo, ele pensou que ao menos poderia facilitar os deslocamentos e a logística na cidade. Construiu Av. Victor Hugo Kuntz, Cel. Travassos, Guia Lopes, Sete de Setembro, Cel. Frederico Link – que estava destruída –, Eng. Jorge Schury e a estrada para Lomba Grande entre outras.

“Conseguimos realizar uma série de obras de infraestrutura que hoje são praticamente a espinha dorsal de Novo Hamburgo. Tem coisas que me gratificaram muito. Outras tantas, também, não consegui realizar”, diz. Seu Miguel, como prefeito, também transformou a Fenac de um embrião comunitário em uma empresa pública e esta teve e ainda tem um papel de destaque no cenário econômico da cidade.

Com a comunidade por quem sempre se dedicou.

Perguntei sobre a criação da Galeria de Artes e um sorriso largo estampou seu rosto. “Isso é uma boa história! Estava no gabinete no dia 8 de outubro de 1973. Entra o Alceu Feijó, que era o meu assessor de imprensa, com um papelzinho na mão… – Miguel, tu tens que telefonar para esse cidadão aqui. Ele está radicado há anos na cidade de Florença, na Itália. Está de aniversário hoje. E nós teremos o Sesquicentenário da imigração alemã no próximo ano.”

Seu Miguel continua: “Eu nunca tinha ouvido falar nele… peguei o telefone, telefonei… Scheffel, aqui é Miguel Schmitz, prefeito de Novo Hamburgo. Não nos conhecemos, mas quero te parabenizar pelo aniversário e também te formular um convite: tu és convidado oficial para assistir os festejos do Sesquicentenário da Imigração Alemã. Tivemos a felicidade de fazer com que o extraordinário artista Ernesto Frederico Scheffel viesse, na condição de convidado de honra, participar das comemorações.”

Com a presença do artista na cidade, surgiu a ideia de criação da Galeria de Artes Ernesto Frederico Scheffel, em prédio histórico por ele escolhido, que o então prefeito desapropriou para que recebesse a galeria. Restaurado, o prédio acolheu o maravilhoso acervo de suas obras, doadas ainda em vida.

A cultura teve um papel de destaque na administração de Miguel Schmitz. Aconteceram diversos festivais de teatro e não havia um centro de cultura. Num dos festivais conseguiram trazer um grande nome que, mais adiante, foi homenageado e será sempre lembrado através do Centro de Cultura Paschoal Carlos Magno. Festivais de corais também aconteciam com inúmeras representações, não só do Estado, mas do Uruguai, da Argentina, e o palco era o Cine Lumière, num prédio que ficava onde hoje é o Calçadão.

Tarso Dutra, Ministro da Educação na época.

Seu Miguel acredita que no futuro Novo Hamburgo será uma cidade obreira, desenvolvida e destaque no cenário estadual e nacional. Para quem reputa a emancipação da cidade como o momento mais marcante da nossa gente, não daria para esperar outro tipo de esperança. “Os habitantes caracterizam-se pelo empreendorismo. É um povo organizado, trabalhador, honesto e receptivo, que conserva algumas tradições de seus antepassados.” conclui.

Fotos: Divulgação

Visões sobre Novo Hamburgo. Qual é a sua?

Das tantas conversas que tive ultimamente com pessoas da nossa comunidade, recortei algumas frases para dividir novamente com você. Algumas iluminadas, outras estimulantes. 

 

“A eternidade não é matéria, é espírito. E o que podemos deixar é esse espírito de inovar, renovar, transformar e de estar sempre a serviço da comunidade.”

Cléber Prodanov – Reitor da Feevale

http://blog.trenznegociosimobiliarios.com.br/2019/07/11/uma-janela-para-o-futuro-o-nosso-futuro/

“Se não fossemos uma cidade com capacidade de inovação eu não estaria mais vivendo e trabalhando aqui. Acredito demais no nosso potencial.”

Marcelo Clark – Empresário e ex-Presidente da ACI

http://blog.trenznegociosimobiliarios.com.br/2019/01/10/aguas-dancantes-carnaval-na-avenida-e-lambaris-no-arroio-ha-40-anos-o-centro-de-novo-hamburgo-era-outro/

“Nós temos o maior “cluster” de calçados do Ocidente”.

Luís Coelho –  Consultor de empresas

http://blog.trenznegociosimobiliarios.com.br/2019/05/16/novo-hamburgo-ja-era-e-agora-como-sera/

“O que ensinamos aqui é o que os alunos estão aprendendo em Tóquio, no Canadá ou na Austrália”.

Alceu Feijó Filho – Presidente do Aeroclube de Novo Hamburgo

http://blog.trenznegociosimobiliarios.com.br/2019/04/12/aerodromo-de-novo-hamburgo-formando-comandantes-de-boeing/

“Nesse vale tão bonito, entre a serra e o mar, onde fica Novo Hamburgo, minha cidade, meu lar”.

Délcio Tavares – Poeta, músico e compositor do hino da cidade

http://blog.trenznegociosimobiliarios.com.br/2019/04/05/um-hamburguense-de-coracao-nos-fez-esta-cancao/

 

Pão com chimia, nata e salsichão

Esta receita que para muitos pode parecer exótica, virou uma sensação gastronômica de época nas icônicas bancas de Novo Hamburgo. Mais precisamente na Banca 8, hoje comandada pela Sra. Ruth Erna Petry e seu filho Claudio.

Cláudio Petry, o criador da iguaria “pão com chimia, nata e salsichão”, em 1962.

“Em 55/56 o Cláudio, meu falecido marido, introduziu o famoso salsichão com pão, chimia e nata, acompanhado de café com leite. Isso não existia, mas era uma coisa de origem alemã que logo pegou, virou sucesso”, lembra dona Ruth.

Em 1949 a rodoviária de Novo Hamburgo era na Pedro Adams Filho e, próximo dela. Os comerciantes queriam suprir as necessidades dos viajantes que por ali transitavam, embarcando e desembarcando num vai e vem frenético para a época.

O Centro já tinha bastante movimento e havia o cinema, os bailes e as reuniões dançantes que aconteciam na antiga sede social da Ginástica, onde está o Calçadão e, hoje, é o Espaço Cultural Albano Hartz. Muita gente circulava por ali e lá no início dos anos 50, as bancas já trabalhavam 24 horas por dia.

“Eu pegava o ônibus na antiga rodoviária, mas nem olhava para os lados. Assim, também não percebia que o Cláudio estava de olho em mim”, conta dona Ruth. “Ele teve coragem e veio conversar comigo. Em 1956 começamos a namorar, noivamos e casamos em 1957.”

Cláudio Filho, Ruth e Danilo na Banca 8.

Sr.Danilo, ex-sócio da Banca e amigo da família lembra que naquela época o comércio era atendido basicamente por homens. “A mulher ainda era mais voltada para o lar. A Ruth foi uma das pioneiras.”

Um fato muito interessante: quando as bancas foram criadas, os proprietários combinaram e determinaram o que cada um poderia vender. O objetivo era um não atrapalhar os negócios dos outros. Na Banca 8 era só café e refrigerante. A 7 era a banca da maçã, dos sorvetes e batidas. Eles tinham um fornecedor de maçãs que vinham da Argentina, eram acondicionadas nuns saquinhos tipo uma rendinha vermelha e o pessoal vinha comprar ali, porque nem se encontrava maçã no supermercado naqueles tempos. Na banca 6, vendia-se revistas, jornais, vitaminas e sucos. Na banca 1 eram loterias…

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Outra situação que muitos ainda devem trazer na lembrança é a presença de certas figuras pitorescas que frequentavam as bancas. Dona Ruth relembra: “tinha o Macuco, o Medonho, o seu Bruxel, que era um homem muito culto que vivia na rua. O Macuco tinha uma memória incrível. Vendia bilhetes de loteria e, também por isso, gostava de memorizar as placas dos carros. Acabava sendo uma estratégia de venda, pois ele já separava os bilhetes com os números das placas de quem ele conhecia e sabia para qual cliente oferecer.”

Mas o Sr.Danilo faz questão de dizer: “Eles sempre passavam por aqui, mas não incomodavam, não seguravam lugar, entende? Andavam pra cima e pra baixo, de bairro em bairro até cansar e depois iam embora. Não ficavam azedando por aí, não sujavam, não desrespeitavam ninguém.”

As bancas viraram um ponto de encontro, uma referência na cidade, não por acaso. Dona Ruth conta que os desfiles de 7 de setembro, o carnaval na avenida eram emocionantes. “As famílias inteiras vinham trazendo cadeiras e iam se acomodando atrás do cordão de isolamento. Era muito legal.”

Bancas, um ponto de referência da cidade. (Foto: Marcos Quintana/Arquivo pessoal)

A revitalização e a instalação dos novos equipamentos deve devolver as bancas ao centro das atenções, pois são um cartão de apresentação, um ponto de referência da cidade. As bancas são um legado da história de Novo Hamburgo, um patrimônio público da cidade. No futuro, quem sabe, não sejam transformadas em patrimônio cultural.

Fotos: Divulgação

 

 

PONTO DE VISTA: Meu ponto cardeal na parede

Outro dia me deparei com um furo na parede da minha sala e ele me fez relembrar do porquê está lá. Foi ele que ajudou a redirecionar a minha atuação profissional, mudou minha percepção e me fez descobrir que ajudar as pessoas a encontrarem o imóvel que procuram na cidade que eu adoro e conheço tão bem não me dá trabalho. Me dá prazer, me dá satisfação, me dá alegria.

O furo eu fiz para pendurar o que seria o cenário dos vídeos que eu pretendia produzir, dando dicas de como escolher um imóvel. Orientação solar, facilidades de transporte e comércio nas proximidades, por exemplo. Coisas que qualquer corretor está preparado para dar ao cliente e, cá pra nós, a maioria das pessoas já sabe. Fiz uns pilotos, depois desisti da ideia, recolhi o cenário e o furo ficou. E agora ele vem me lembrar de como mudar é bom.

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 Mudar de atitude, mudar de casa, mudar de vida é ótimo. Mas claro, temos que acreditar na mudança a que nos propomos, porque só assim conseguiremos construir algo ou alguma coisa realmente nova e representativa. Com uma tomada de briefing mais aprofundada, um olhar mais atencioso para aquilo que meus clientes realmente querem, seja para morar ou para investir, para construir uma família ou instalar uma empresa, meu atendimento se aprimorou. Meus negócios melhoraram. Minhas relações se fortaleceram.

O norte de cada um nos torna diferentes. Mas a energia necessária para realizar o que almejamos exige o mesmo para todos. Isso vale até para quem quer trocar de casa, dar um upgrade na vida. E as vezes o que te move é algo tão singelo como um furo na parede. Um primeiro passo.

 

Comprava bicicletas na capital e pedalava até aqui para vendê-las.

Guilherme Kley é um empresário que se fez sozinho. Aos 17 anos concluiu que estava na hora de trabalhar por conta própria e ali começou, em 1957, a orquestrar os movimentos que resultariam na empresa conhecida hoje pelo nome de BurgoBrás. Aos 84 anos, seu Guilherme lembra com clareza o passo a passo da construção de uma marca que conquistou o respeito e a parceria de outras muito maiores, como Brastemp e Consul. Mas tudo começou mesmo com as bicicletas.

Desde o início, preparada para atender os chamados de toda a região.

Aos 17 anos ele virou empresário. “Eu fiz um curso no Senai e logo depois fui trabalhar numa firma de máquinas para calçados. Sabia trabalhar com fresa, torno, plaina. Fiquei um ano por lá e comecei a achar que poderia fazer mais, apesar de ser uma empresa sólida, boa”, diz.

Juntou o dinheirinho que tinha, fez um acordo com a firma e reuniu o capital necessário para abrir uma pequena oficina de bicicletas, numa peça bem humilde, para não pagar muito aluguel. Passado algum tempo, associou-se ao cunhado e ao irmão dele para fundar a “Casa das Bicicletas”.

Eduardo e Fábio, juntos pela continuidade do sonho do seu Guilherme.

“Nessa época eu tinha 18 anos e, acredite, não existia fábrica de bicicletas no Brasil. Eram todas importadas. Eu ia a Porto Alegre comprá-las”, lembra. Comprava a bicicleta, tirava da caixa de papelão e montava ali na rua mesmo, na frente da loja. Voltava pedalando até Novo Hamburgo e trazia, ainda, alguns pneus presos no corpo.

Chegando aqui, lavava a bicicleta, lubrificava e regulava para, no final da tarde, o freguês vir buscá-la na loja. Só vendia à vista. Tempos depois seu Guilherme acabou comprando a parte da sociedade do cunhado e do irmão dele. “Tinha bastante serviço de reparos e as fotos das bicicletas para vender. Os clientes começaram a vir e escolher, entre os três modelos das fotos, qual queriam comprar.”

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Seu Guilherme criou, então, um expositor de madeira para deixar em frente a duas fábricas de calçados, todos as manhãs, com uma bicicleta e o preço. A partir daí, disse, “passou a vender em prestação.” Com experiência nos negócios, resolveu ampliar os serviços e passou a fazer pequenos consertos em batedeiras e liquidificadores. Ofereceu para algumas lojas de eletrodomésticos da cidade e o negócio deu tão certo que lhe ofereceram a manutenção de outros eletrodomésticos, como geladeira e ar condicionado. Em 1973, virou autorizado Brastemp e depois Consul.

Em 1992 foi criada a marca BurgoBrás, para desassociar a empresa do nome do seu Guilherme Kley. Para o futuro, os filhos Eduardo e Fábio planejam o avanço na área da engenharia, com projetos comerciais e industriais. O objetivo é manter a tradição por assistência técnica de eletrodomésticos e refrigeração e crescer na área da engenharia.

Uma loja moderna em harmonia com o bairro.

Quero saber se o bairro Hamburgo Velho é um bom lugar para empreender. Pai e filhos concordam que a área tem características Ímpares: valorização do patrimônio histórico, a beleza do bairro, o comércio, a tranquilidade. O prédio onde está a sede da BurgoBrás foi construído em 1871.

Fotos: Divulgação