Um kitinete para cinco

Chico Dalla Costa, o José Artur Dalla Costa na certidão de nascimento, tem um passado que daria um livro. Natural de Encantado, veio para Novo Hamburgo atrás de um amor. A moça havia mudado-se para cá para cursar Educação Física na Feevale, uma faculdade de grande destaque na época. Jovem e apaixonado, encheu- se de coragem, pegou as duas melhores peças de roupa que dispunha e veio atrás dela. Hoje ele está à frente da JM Contabilidade, mas, entre uma história e outra, quanta emoção.

Chico se considera uma pessoa abençoada, pois sempre teve o objetivo de construir algo.

“Sou hambuguense de coração por causa dela, que me atraiu para a cidade. Falava que a região  tinha muitos empregos e, quando percebi, já estava aqui.” Só que o Chico não tinha contabilizado o tamanha das despesas para  sobreviver. Pagar aluguel, luz, comida, roupa, transporte não era fácil. Como poderia impressionar a namorada sem nada de dinheiro no bolso? O bicho era bem mais feio do que sequer poderia imaginar. Com os pobres pais, não podia contar. Mas guerreiro é guerreiro e quem trabalhara num frigorifico em Encantado não tinha que se abater frente a umas dificuldadezinhas.

“Novo Hamburgo, no início, foi muito difícil para mim. Não conhecia ninguém e tinha que me virar sozinho.” O jeito foi dividir uma casa. Com dez pessoas! “Todos ganhavam pouco e rachar o aluguel com mais gente era uma necessidade”, conta. Trabalho, casa. Casa, trabalho. Por muito tempo a rotina do Chico foi essa. E foi assim, dando duro, que o rapaz conseguiu mudar-se para um kitinete. Com 5 pessoas! Se não fosse o amor, teria voltado para Encantado. Talvez, para o emprego no frigorífico. Lá tinha amigos, família, conhecia quase todo mundo na pequena cidade.

Os departamentos são divididos nos 395 m² de área construída.

Quando chegava o final de semana a saudade batia forte e o desejo de ir para Encantado tomava conta dele. Mesmo depois de casado. “Durante 5 anos, quando tínhamos dinheiro, toda sexta-feira à noite pegávamos o Centralão até a Scharlau e, de lá, o Expresso Azul, que ia até Encantado. Mas geralmente não tínhamos dinheiro.”

No aperto, só o que resolve é a criatividade. E era com ela que o casal ia aos sábados, bem cedo, tentar carona. Levavam prontas várias plaquinhas com os nomes das cidades (Montenegro, Santa Cruz, Lajeado, Estrela, Arroio do Meio). Quando demorava muito aparecer carona para Encantado, iam tentando cidades que ficavam no caminho. “Nos revezávamos para segurar as plaquinhas. Algumas vezes, saíamos de casa às seis da manhã para chegar ao nosso destino às 17hrs.”

A história do Chico Dalla Costa mostra que “Deus ajuda quem cedo madruga.” Estudando à noite, formou-se em contabilidade em 1984. Em Novo Hamburgo, trabalhou em algumas empresas – na área administrativa e contabilidade. Em março de 1991, ele e um colega de trabalho fundaram a JM Contabilidade.” “Começamos com um amigo que emprestou a sala, telefone, toda a estrutura e, ainda, nos passou alguns clientes pequenos. Como contrapartida, fazíamos a contabilidade dos outros clientes do escritório dele.” Foi assim por dois anos.  Quando conseguiram um cliente que dava sustentação ao negócio, seguiram vida própria e, em 2000, dissolveram a sociedade e cada um, hoje, tem seu escritório.

Inaugurada em 2016, a nova sede da JM Assessoria Contábil está localizada no bairro Operário.

Em 2016, foi construída a nova sede, no bairro Operário, com uma estrutura de excelência. “Qualifiquei o quadro de colaboradores e fiz tudo isso no meio de mais uma das tantas crises que o país já  enfrentou.” O Chico sempre quis instalar o escritório no Operário. “Vejo há muito tempo que o bairro tem potencial para crescer. É próximo do centro, tem acesso fácil para quem vem de fora. Pra ele, só o que faz falta é uma agência bancária. Mas nada é perfeito.

Fotos: Divulgação

 

 

 

 

 

 

Com beijinho não resolve.

A dor física dói em crianças e adultos da mesma forma: com intensidade. O pequeno chora, o adulto lastima, e assim vai a vida. A dor de um arranhão, de uma trombada, vá lá, cura-se com beijinhos de amor. Uma fratura, não! Por isso, há uns 50 anos – mais ou menos – a ciência criou a fisioterapia, uma especialidade que auxilia na recuperação do corpo, mas que também se ocupa dos sentimentos. Quem me contou foi a Carolina Martins Dorneles.

Desde a fundação, a Unifisio vem se especializando nas áreas de ortopedia e traumatologia.

Criada em outubro de 1994, a clínica é uma das mais antigas desta área em Novo Hamburgo. “Nós queríamos oferecer para as pessoas a possiblidade de encontrar, num único local, serviços altamente qualificados, que completassem a reabilitação dos pacientes. Na época, ainda éramos vistos e comparados com os massagistas.” Carolina diz que a população e muitos médicos viam a especialidade com este viés.

Passados 25 anos de trabalho, hoje ela pensa que aquela primeira percepção, apesar de equivocada, contribuiu de alguma forma para o seu aprimoramento e, consequentemente, da empresa que comanda. “As vezes o paciente nem está com uma debilidade física tão grande, mas o emocional conta muito. Por sentir dor, limitações, fragilidade, a pessoa quer a atenção dos familiares ou até mesmo do fisioterapeuta.”

Promover a saúde não é tratar uma determinada doença ou desordem, mas serve para aumentar a saúde e o bem estar geral.

Na clínica são utilizados os recursos e as técnicas mais avançadas disponíveis na fisioterapia como laser, ultrassom, turbilhão. Com um sorriso de satisfação no rosto, Carolina afirma: ” No final da sessão a gente dá uma atenção especial na região da lesão. No outro dia o paciente vem e diz. Bah, melhorou muito com aquela terapia manual. Para o paciente, foi aquele 1 minuto que tu ficou ali dando uma atenção para ele que fez a diferença. Isso é muito bom e gratificante para o profissional também.”

Da fisioterapia caseira, somos todos conhecedores e os próprios médicos indicavam: fazer um gelinho, ou uma bolsa de água quente, compressas com sal, alongamentos com toalhas de banho, torcer pano para recuperar os movimentos do punho… Mas muita gente ficava com movimentos parcialmente comprometidos. Carolina diz que é natural as pessoas terem medo de fazer em casa alguns exercícios, o que acaba tornando a recuperação incompleta e mais demorada.

Receber bem o paciente é fundamental. Afinal, ele quer contar sobre a sua dor, seus medos, receios e queixas.

Se nossa empreendedora tem planos para o futuro? ” Trazer as pessoas para a clínica não apenas quando elas têm um problema físico. Dentro da fisioterapia, temos exercícios terapêuticos. Idosos, na sua maioria, não frequentam academias. Pessoas que já tiveram alguma lesão mais séria, geralmente têm receio de voltar a praticar exercícios. Nosso projeto é criar grupos de reeducação postural, 3ª idade, exercícios respiratórios, fortalecimento muscular…Além do benefício para a saúde é uma forma de trocar experiência com os demais participantes.”

Carolina levou a Unifísio para o bairro Rio Branco há 6 anos. “É um bairro tranquilo, de fácil estacionamento, com comércio e serviços diversificado e com fácil acesso à BR-116. É perto do shopping, de um supermercado que é referência. Super-recomendo.”

Fotos: Divulgação

 

Jogava uma bola quadrada, mas corria mais que os outros.

Mais novo dos cinco filhos de um pai adepto aos exercícios físicos, Renato Kieling Neves, o Renato da i9, recebeu estímulos desde cedo para dedicar-se à vida esportiva. Começou pela ginástica olímpica aos 7 anos. Na carona dos irmãos mais velhos, começou a nadar. Mas seu espírito competitivo não permitiu continuar na modalidade depois de quatro ou cinco anos de treinos.

Renato, gosto pela atividade física desde os 7 anos de idade.

“Gostava de nadar, mas treinávamos três meses e íamos competir com o pessoal do Grêmio Náutico União, que tinha piscina térmica e os atletas podiam se preparar o ano inteiro.”

Renato também tentou jogar futebol, mas se revelou um perna de pau. Era ruim de bola, entretanto, tinha uma característica que o destacava dos outros boleiros: a velocidade. “Eu chegava sempre na frente, eu corria mais que eles.”

Experimentou, ainda, o vôlei, onde conheceu e conviveu com uma pessoa chave para o seu desenvolvimento profissional, o professor Rubens Silva, que também treinava a seleção gaúcha e foi técnico da seleção brasileira das categorias juvenil e infanto-juvenil. Por fim, acabou se transferindo mesmo para o atletismo, modalidade na qual permaneceu por oito anos.

Quando terminou o 2º grau, diz que não sabia para que lado correr e o pai o aconselhou: “- Faça o que você acha que tem vocação para fazer. Olhe para o seu interior para decidir.” Foi cursar Educação Física.

Atividades coletivas é comum que o clima de descontração tome conta do ambiente e as pessoas se tornem amigas.

Em 1980 surgiu uma oportunidade interessante. A Loteria Esportiva destinava uma verba aos clubes amadores, paga com equipamentos. A Sociedade Ginástica ganhou, por ter sido campeã de vôlei em 1978, um conjunto de aparelhos que se chamava Apolo. O técnico Rubens Silva que também trabalhava na Sociedade e que sempre gostou da parte técnica, mas não da preparação física, o convidou para ativar a sala de musculação do clube, proposta que topou no ato.

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  “Depois de alguns anos, percebi que ali seria difícil eu evoluir e resolvi, junto com um colega de faculdade, montar um negócio próprio. Não tínhamos dinheiro, só o desejo.” Foi então que uma companhia de exportação sediada na cidade solicitou a ele um projeto de academia doméstica para atender a um cliente americano quando este estava no Brasil.

“Com o dinheiro que entrou e algumas economias do colega, compraram os equipamentos que permitiram abrir a academia Coliseu, na Nicolau Becker, onde permanecemos de 1984 até 1990.”

Cursos de Capacitação são frequentes para toda a equipe i9.

O negócio ganhou projeção e Renato achou que deveria ampliar suas especializações. Duas semanas após receber o diploma de Educação Física, iniciou na Fisioterapia e depois ainda encarou uma pós-graduação no Rio de Janeiro.

Foi convidado pela Feevale, conta. Comecei lecionando Fisiologia Humana, em seguida Fundamentos de Anatomia e Ortopedia. Depois trabalhei 4 anos no curso de Fisioterapia, na disciplina de Cardiologia 1. “Talvez o meu melhor aprendizado tenha sido dar aulas, é onde tu mais aprende”, afirma.

No início dos anos 2000, ele resolveu deixar a sociedade e iniciar um projeto novo. Em setembro de 2005, nasce a i9, procurando trazer o que tem de melhor no segmento e, principalmente, se envolver e aperfeiçoar o atendimento ao cliente através da socialização, com atividades coletivas que proporcionam maior entrosamento e tornam o ambiente mais harmônico.

O que o Renato da i9 acha do bairro Centro para empreender? “Onde estamos localizados é excelente, pois há um alto índice de verticalização. A área faz parte do Centro, mas está mais para a divisa com o Jardim Mauá e tem tudo o que você necessita. Sinto falta de uma lotérica. É um bairro de qualidade.

Fotos: Divulgação

 

 

Quando tínhamos ritmo chinês.

Diz a sabedoria popular que “Quem vive de passado é museu”. Mas como somos Novo Hamburgo, este é um assunto recorrente aqui no blog. Já contamos muitas histórias e temos muitas outras para contar, de pessoas como Dalvis Augusto Melo, da Millforross, empresa com 21 anos de atuação.

Dalvis quando chegou em Novo Hamburgo, ficou impressionado com a rapidez que as coisas aconteciam por aqui.

Nascido em Nova Bréscia, berço de churrasqueiros que se espalharam pelo país, a família de Dalvis mudou-se para Arroio do Meio quando ele contava 6 meses de vida. “Tive muitas dificuldades na infância: para estudar era longe e o acesso era difícil. Morávamos bem no interior mesmo.”

Era comum, na época, as pessoas permanecerem por anos numa empresa. Dalvis exagerou um pouco: “Trabalhei numa empresa só, a Costaneira Materiais de Construção. Comecei em Lajeado, passei por várias filiais e, com 22 anos, fui gerenciar a loja de Taquari. 2 anos depois, me transferiram para Novo Hamburgo.”

Ficou chocado na chegada. Era o ano de 1983, a cidade crescia a passos largos, empregos pipocavam e o ritmo de tudo parecia alucinante, principalmente, se comparado ao de Taquari, lembra ele. Talvez não fosse o ritmo dos chineses, mas é um comparativo que dá ideia aos mais novos, de como já fizemos a diferença. E, tenho certeza, voltaremos a fazer.

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  “Aluguei um apartamento e, belo dia, levantei de manhã e os caras estavam aplicando asfalto em frente ao meu prédio. De noite, quando cheguei em casa já estava pronto. Era uma rapidez incomum para mim.” O empresário conta que trabalhou na filial de Novo Hamburgo por 18 anos. Numa apresentação de produtos, ouviu do palestrante que o que iria crescer muito na terra do sapato era forro para a construção civil.

Ali a veia empreendedora se manifestou e surgiu a ideia de abrir a própria empresa. “Eu passei por todos os cargos dentro da Costaneira e sempre me destaquei foi no comercial. Resolvi arriscar, em companhia do meu amigo Tadeu. Fizemos a sociedade.”

Millforros: soluções práticas e inovadoras em transformação de ambientes.

Como aconteceu com quase todos os empreendedores que já conversei, o início foi dureza. Mas os sócios da futura empresa aplicaram, naquela época, alguns conceitos difundidos hoje. Fizeram uma pesquisa de mercado, se organizaram com reuniões semanais de planejamento e, no mês de março de 1997, após o retorno das férias, Dalvis, nas suas palavras, “pediu as contas” do emprego de tantos anos.

“Eu conhecia alguns tipos de forro, na época de PVC estava no auge. Logo depois chegou o gesso acartonado.” O início da empresa foi numa peça de 100 m². Mas logo o espaço ficou pequeno e os sócios precisaram arcar com 6 meses de aluguel que faltavam para o encerramento do contrato de locação. Mudaram-se para um pavilhão de 800 m².

O conhecimento comercial ajudou na percepção que ajudou a marca a se diferenciar no mercado. Dalvis percebeu que seus clientes não tinham tempo. Passou a atendê-los em horários especiais, ou seja, adaptou-se às necessidades dos mesmos. Mais uma lição apregoada fortemente hoje em dia, que ele aplicou lá atrás.

“A Millforros começou com nada, apenas com o dinheirinho da rescisão. Eu fazia os orçamentos, vendia, pegava o material no atacado e instalava. E assim foi nos primeiros 6 meses, até que tivemos que fazer a mudança para o novo local, onde permanecemos por 4 anos. Surgiu, então, a oportunidade de comprar o prédio onde estamos estabelecidos até hoje. Este imóvel foi um grande sonho realizado.”

Sede própria junto à BR-116.

Hoje a Millforross atende a grande Porto Alegre, o Vale do Paranhana, toda a região da serra, Alto Taquari. Fora do estado, tem obras no Paraná, em São Paulo e no Maranhão. “A Millforros tem estrutura para atender as exigências dos shoppings. Fizemos obras da Arena do Grêmio e do Beira-Rio. A maior virtude da Millforros é a capacidade de começar e entregar uma obra”, orgulha-se.

O bairro Rio Branco é um bom lugar para empreender, eu pergunto. “Sim, é um bairro com bastante mão de obra, de fácil acesso, tem espaço. O que está faltando é mobilidade. Está demorando o projeto que deve estar no Dnit para que as pessoas que vêm da região de Estância Velha, Ivoti, Dois Irmãos, Sapiranga possam chegar nesse lado da cidade. Isso valorizaria tudo, imensamente”.

Dalvis acredita que Novo Hamburgo teria um grande empuxo se criasse o distrito industrial que, nas palavras dele, ficou sempre na promessa. “Não tem crescimento se não tiver indústria para empregar. As empresas de calçado saíram e não foi feito nada”, finaliza.

Fotos: Divulgação

 

A morte no espelho.

Este é o último capítulo da série sobre o Meio Ambiente Cultural, que fiz para a Revista Expansão, um tema que nos possibilitou abordagens interessantíssimas durante o ano. Para encerrar, fui conversar com o Gilberto Franceschetti, do Grupo Krause, sobre cemitérios, o apelo cultural e emocional que exercem nas sociedades ocidentais e sobre como ele vê o futuro destes espaços.

Gilberto Franceschetti, quarta geração no comando da Krause.

A forma como lidamos com a morte veio se transformando com o decorrer do tempo. E nossa relação com os cemitérios mudou também. Nós, ocidentais, mantemos uma ligação profunda com a cultura do cemitério. No Brasil, muito apegado as suas raízes, essa relação é ainda mais intensa. O cemitério é nossa referência para homenagear os que já partiram. O formato tradicional vem, sim, perdendo espaço no mundo, afirma Gilberto, mas nunca vai deixar de existir.

“Túmulos monumentais, cemitérios-jardins ou verticais, isso tem cada vez menos relevância. No passado, construíam-se mausoléus como forma de demonstrar o poder das famílias. Existem verdadeiras obras de arte em cemitérios mundo afora, algumas valendo milhões, outras tombadas pelo Patrimônio Histórico. Mas queremos as coisas cada vez mais rápidas, o desapego é grande. A morte também vem sendo atropelada por esta velocidade. E isto está gerando, claro, novas tecnologias e diferentes alternativas.”

Na divisa de Novo Hamburgo e Campo Bom, Krause constrói cemitério vertical de três andares e 6.300 m².

Gilberto diz que já existe, nos Estados Unidos, um processo de decomposição em que o corpo vira adubo. A pessoa não é sepultada ou cremada, ela é colocada num container com algumas matérias, terra, serragem e decompõe organicamente. Os restos mortais viram adubo.

Mas existem as questões filosóficas, que não permitirão que os cemitérios tal qual conhecemos, desapareçam completamente: onde vou reencontrar e chorar por aquela pessoa? Onde ela está?  Na Alemanha, informa Gilberto, existe uma lei nacional de cremação que obriga que as cinzas fiquem dentro do cemitério. “Tu não podes levar para casa, não podes espalhar no lugar preferido do morto.”

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Além do simbolismo, há outros impactos relacionados aos cemitérios. Estudos indicam que o necrochorume proveniente da decomposição dos corpos pode atingir o lençol freático, causando contaminação. “As opções mais verdes, que causam menos impacto, serão as mais procuradas, como os cemitérios verticais ecológicos, que hoje são os únicos que cumprem rigorosamente a Resolução Conama 335, que trata da regulamentação e licenciamento ambiental dos cemitérios.”

Gilberto acredita que a desmistificação da morte e a ressignificação dos cemitérios seja o caminho daqui para a frente. “Estamos construindo, no bairro Canudos, um novo espaço. As pessoas precisam perder o medo de entrar no cemitério. Enxergar o local como um lugar de conhecimento, de história, de desenvolvimento, de paz, acolhimento e lembrança. Precisamos aprender a falar da morte com mais leveza e saber que em algum momento vamos passar por uma perda. Os orientais sabem tratar deste assunto muito bem.”

Grupo Krause: uma empresa familiar com 97 anos.

Muitas mudanças para esses empreendimentos ainda estão por vir, e cada vez mais voltadas para a preservação do meio ambiente. Mas as experiências na visitação representam o principal desafio. “Mostras de arte, caminhadas noturnas, espaços para cursos, aulas de música, etc, são ações que podem fazer com que as pessoas vejam os cemitérios como um lugar mais simpático e compreendam que ali não existe só morte. Também existe vida lá dentro”, conclui.

Colaboração: Cinara de Araújo Vila – Procuradora do Município de Novo Hamburgo.

Fotos: Divulgação

 

Os americanos queriam cebola no lanche!

Mais um ponto de destaque no cenário dos empreeendedores hamburguenses: O Xis da Taquareira. Trago para vocês um pouco da história deste lugar, que como tantos outros, também foi construído com árduo trabalho, especialmente, dos fundadores. Conversei com a sra. Claudete Stein, que assumiu o negócio em 1992, após ser desfeita a sociedade que seu marido saudoso mantinha, antes de vir à óbito, com um ex-colega do King’s Kão.

Taquareira: espécie nativa que virou marca registrada do restaurante.

José trabalhara com o Sr. Almiro – ícone do King’s – por 8 anos. Certo dia, entretanto, pensou que deveria abrir o seu próprio negócio. Associou-se a um colega e partiram para ser donos do próprio nariz. Com a cara e a coragem, fundaram o Mister Dog Lanches. Dna. Claudete tem a data na cabeça. “Foi no dia primeiro de outubro de 1987, há 32 anos.” A clareza na lembrança da data tem seu motivo: “Já éramos casados, minha filha era nascida e morávamos aqui. Foi uma atitude arriscada.”

Dna. Claudete não pertencia à área. Mas durante muitos anos atuou numa distribuidora da Coca-Cola, no Rincão. “De lá vim sabendo administrar. E a faculdade me ajudou muito.”  

O apoio incondicional dos filhos Tatiana e Mateus é determinante para o sucesso do negócio.

Não recordo de algum empreendedor com quem tenha falado que teve vida fácil. Com o Xis da Taquareira não foi diferente. A primeira grande dificuldade: definir um local. “Na época era difícil conseguir um ponto, os recursos escassos. A gente apostou aqui, num terreno alugado. Depois de 10 anos de luta, conseguimos adquirí-lo.” Muitas pessoas não acreditavam no empreendimento. Diziam que não ia dar certo, que duraria no máximo um ano e, depois, fecharia as portas.

A desconfiança não era infundada, pode-se dizer. Não faz muito, o destaque do bairro Vila Rosa era o ex-campo do Esporte Clube Novo Hamburgo. No mais, parecia estar longe de tudo e de todos. A não ser nos dias de jogos. Nesse quesito, afirma Dna. Claudete, marcaram um gol. “Muita gente vinha assistir aos jogos e morávamos em frente, o que para nós foi bom. Afinal, trabalhar não era problema, pelo contrário, era justamente o que mais almejávamos. Também ficamos conhecidos.”

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 Muitas fábricas e companhias de exportação eram atores naquele cenário. “Trabalhava-se muito, pois havia pouca concorrência. Nós íamos das 11h às 23 horas, sem fechar. Depois tinha todo o resto para fazer. Limpar, carregar, preparar. O pessoal acha que é fácil abrir um negócio na alimentação, mas não é. Tem que ser determinado, ter muita persistência. Trabalha-se sábado, domingo, é difícil.”

O cliente, aqui, sempre foi ouvido. No início era só lanches. Quando importadores americanos abundavam em Novo Hamburgo, muitos iam comer lá. E pasme: queriam cebola no lanche. Mas como colocar cebola nos lanches? Era novidade! Foi adotada. A mesma coisa foi a batata frita.

Ambiente espaçoso e moderno agrada jovens e famílias.  

Até no nome os clientes interferiram. O Mister Dog Lanches virou Xis da Taquareira porque eles batizaram assim, chamavam assim. E, de novo, a casa adotou a sugestão. O bairro Vila Rosa é um bom lugar para empreender? pergunto. “Eu acredito que sim. Bairro bom, tranquilo, relativamente plano, de muito fácil acesso, trem perto, shopping perto, padarias, supermercados.. Falta uma farmácia.”

Fotos: Divulgação

 

Trabalhar, dormir, acordar, trabalhar.

Como muitos que fizeram história na Capital Nacional do Calçado, Remídio Klein veio para a cidade atrás de um sonho. Queria ser empresário. Corria o ano de 1982 quando desembarcou por aqui. Contava 19 anos e deixara para trás, na outra ponta da linha de ônibus, o pequeno município de São Martinho, no interior do estado.

Remídio: orgulho de ser hamburguense de coração.

“Quando cheguei, me encantei com Novo Hamburgo. A cidade toda linda, pintada, organizada, foi uma loucura para mim. Tudo limpo, isso foi no auge do calçado! Aí eu pensei: – Nem vou conhecer Florianópolis e Curitiba. Vou ficar. Já se passaram 38 anos e gosto cada vez mais daqui.”

A estratégia de Remídio para ser empresário? Conhecer empresários. E para colocar o plano em prática? “Aí me deu a ideia de trabalhar num banco. Fiz teste em dois e passei nos dois. Escolhi trabalhar no mais admirado e em oito meses fui destacado e me deram as 15 maiores empresas para cuidar. Então, conheci muitos empresários, pessoas extraordinárias, Eu falava dos meus sonhos e eles diziam: – Tem que ter humildade, honestidade. E trabalhar muito.”

Antes de montar a Brindes Novo Hamburgo, o empresário trabalhava 15 horas por dia, ou mais, incluindo sábados, domingos e feriados. Tinha emprego no banco, vendia anúncios da revista Cartaz (lembram dela?) e, à noite, cuidava do setor de cobrança de uma construtora. “Quero reforçar aos que sonham com o sucesso: tu tem que trabalhar muito, não adianta ter dinheiro, formação, se não tiver garra, raça. A determinação é mais importante do que o próprio capital investido. Quem pensa em trabalhar 8 horas tem que ser empregado.

São 32 produtos de brindes que proporcionam mais de 3.000 itens.

A atividade com a revista foi o que deu a inspiração para Remídio criar uma fornecedora de brindes. O envolvimento com marketing e propaganda despertou seu interesse para a área. Ele conta que no início precisava convencer cada cliente de que o brinde é uma ótima ferramenta de propaganda. Hoje, os gestores veem o brinde como um investimento extraordinário e a empresa hamburguense atende mais de 3.000 clientes no Brasil.

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 Prestes a comemorar 30 anos, a Brindes Novo Hamburgo carrega o nome do município como homenagem do seu fundador à cidade que lhe recebeu tão bem. Mas sua retribuição vai além: “participamos ativamente de ações sociais. Onde dá para ajudar, a gente está sempre ajudando. Quando eu  não tinha dinheiro para auxiliar, mesmo com os 3 empregos, todos os sábados de manhã, durante muitos anos, eu e alguns amigos nos vestíamos de palhaço e íamos divertir as crianças em bairros pobres.”

Com sede própria, é a marca mais lembrada do setor no RS.

Questiono se o bairro Pátria Nova é um bom lugar para empreender e a resposta vem pronta: “Eu estou nesse bairro há muitos anos. É um bairro que tem tudo, não falta absolutamente nada. É um bairro excelente para se morar, calmo, tranquilo, próximo do Centro. Para empreender é melhor ainda.

PONTO DE VISTA: Todo fim tem um início!

Lá vamos nós, a caminho de mais um final de ano. Um ano difícil, como têm sido os últimos para todos os brasileiros que trabalham duro para pagar o colégio das crianças, cuidar da saúde, comprar um carro novo ou um imóvel. Isso para não entrar no dia a dia. Mas convenhamos, nem tudo foram ou são espinhos na vida da gente. Tem sempre o que agradecer e comemorar.

Como cidade, inegavelmente, Novo Hamburgo conseguiu dar uns passos adiante. Alguns problemas crônicos foram resolvidos ou tiveram encaminhamento. O centro revitalizado ajudou a erguer a moral da população, que começou a botar a mão e ajudar na solução de outros problemas que o poder público, sozinho, não dá conta. E por aí vai.

Você também, se fizer um pequeno inventário dos últimos meses, vai ver que gramou aqui e ali, mas também conquistou uma coisa ou outra. E eu também. Durante este ano, trabalhei com o tema Meio Ambiente Cultural na revista Expansão e no meu blog, contando sempre com a colaboração da Procuradora do Município de Novo Hamburgo, Cinara de Araújo Vila. Trazendo assuntos interessantes, sempre ligados a Novo Hamburgo consegui fazer crescer exponencialmente o número de pessoas que me acompanham. Mas como o ano, este tema também está se esgotando.

Quero convidar você para a última matéria do ano nesta abordagem. Vamos encerrar falando de cemitérios. Não precisa sentir calafrios. O conteúdo é especial. E no ano que vem, iniciaremos uma nova jornada e um novo tema, que já quero adiantar: alguns viajantes que saem de Novo Hamburgo para o mundo, na sua volta, trarão um Presente de Viagem para nossa cidade.

A proposta é muito interessante.

Vem com a gente!!

Pensando a cidade no futuro do passado.

Miguel Schmitz comandou Novo Hamburgo num período crucial do nosso desenvolvimento. O ex-prefeito mantém o porte elegante e o sorriso afável. Sua memória privilegiada nos levou a um passeio por tempos nem tão distantes, em que o presente que vivíamos incentivava sonhar com o futuro e fazer grandes planos. Seu Miguel, como é mais conhecido hoje, já deu contribuições fundamentais para a expansão e amadurecimento do nosso município.

Miguel Schmitz, atuação permanente na comunidade.

Ele assumiu a prefeitura de Novo Hamburgo em 31 de janeiro de 1973, num período em que surgia a exportação de calçados por aqui. Isso gerou um processo de forte migração para a cidade e um enorme desafio: acompanhar esse surto de crescimento atendendo as demandas de infraestrutura em todos o níveis: educação, saúde, sistema viário. “Foi desafiador” ele diz. “Essa situação gerou um nível de dificuldades enormes para um período muito curto.”

Fazer infraestrutura para uma população que saltou de 80 mil para 120 mil habitantes foi um dos seus grandes legados. E é por isso que temos essa série de avenidas na cidade: como não podia fazer tudo, ele pensou que ao menos poderia facilitar os deslocamentos e a logística na cidade. Construiu Av. Victor Hugo Kuntz, Cel. Travassos, Guia Lopes, Sete de Setembro, Cel. Frederico Link – que estava destruída –, Eng. Jorge Schury e a estrada para Lomba Grande entre outras.

“Conseguimos realizar uma série de obras de infraestrutura que hoje são praticamente a espinha dorsal de Novo Hamburgo. Tem coisas que me gratificaram muito. Outras tantas, também, não consegui realizar”, diz. Seu Miguel, como prefeito, também transformou a Fenac de um embrião comunitário em uma empresa pública e esta teve e ainda tem um papel de destaque no cenário econômico da cidade.

Com a comunidade por quem sempre se dedicou.

Perguntei sobre a criação da Galeria de Artes e um sorriso largo estampou seu rosto. “Isso é uma boa história! Estava no gabinete no dia 8 de outubro de 1973. Entra o Alceu Feijó, que era o meu assessor de imprensa, com um papelzinho na mão… – Miguel, tu tens que telefonar para esse cidadão aqui. Ele está radicado há anos na cidade de Florença, na Itália. Está de aniversário hoje. E nós teremos o Sesquicentenário da imigração alemã no próximo ano.”

Seu Miguel continua: “Eu nunca tinha ouvido falar nele… peguei o telefone, telefonei… Scheffel, aqui é Miguel Schmitz, prefeito de Novo Hamburgo. Não nos conhecemos, mas quero te parabenizar pelo aniversário e também te formular um convite: tu és convidado oficial para assistir os festejos do Sesquicentenário da Imigração Alemã. Tivemos a felicidade de fazer com que o extraordinário artista Ernesto Frederico Scheffel viesse, na condição de convidado de honra, participar das comemorações.”

Com a presença do artista na cidade, surgiu a ideia de criação da Galeria de Artes Ernesto Frederico Scheffel, em prédio histórico por ele escolhido, que o então prefeito desapropriou para que recebesse a galeria. Restaurado, o prédio acolheu o maravilhoso acervo de suas obras, doadas ainda em vida.

A cultura teve um papel de destaque na administração de Miguel Schmitz. Aconteceram diversos festivais de teatro e não havia um centro de cultura. Num dos festivais conseguiram trazer um grande nome que, mais adiante, foi homenageado e será sempre lembrado através do Centro de Cultura Paschoal Carlos Magno. Festivais de corais também aconteciam com inúmeras representações, não só do Estado, mas do Uruguai, da Argentina, e o palco era o Cine Lumière, num prédio que ficava onde hoje é o Calçadão.

Tarso Dutra, Ministro da Educação na época.

Seu Miguel acredita que no futuro Novo Hamburgo será uma cidade obreira, desenvolvida e destaque no cenário estadual e nacional. Para quem reputa a emancipação da cidade como o momento mais marcante da nossa gente, não daria para esperar outro tipo de esperança. “Os habitantes caracterizam-se pelo empreendorismo. É um povo organizado, trabalhador, honesto e receptivo, que conserva algumas tradições de seus antepassados.” conclui.

Fotos: Divulgação

Visões sobre Novo Hamburgo. Qual é a sua?

Das tantas conversas que tive ultimamente com pessoas da nossa comunidade, recortei algumas frases para dividir novamente com você. Algumas iluminadas, outras estimulantes. 

 

“A eternidade não é matéria, é espírito. E o que podemos deixar é esse espírito de inovar, renovar, transformar e de estar sempre a serviço da comunidade.”

Cléber Prodanov – Reitor da Feevale

http://blog.trenznegociosimobiliarios.com.br/2019/07/11/uma-janela-para-o-futuro-o-nosso-futuro/

“Se não fossemos uma cidade com capacidade de inovação eu não estaria mais vivendo e trabalhando aqui. Acredito demais no nosso potencial.”

Marcelo Clark – Empresário e ex-Presidente da ACI

http://blog.trenznegociosimobiliarios.com.br/2019/01/10/aguas-dancantes-carnaval-na-avenida-e-lambaris-no-arroio-ha-40-anos-o-centro-de-novo-hamburgo-era-outro/

“Nós temos o maior “cluster” de calçados do Ocidente”.

Luís Coelho –  Consultor de empresas

http://blog.trenznegociosimobiliarios.com.br/2019/05/16/novo-hamburgo-ja-era-e-agora-como-sera/

“O que ensinamos aqui é o que os alunos estão aprendendo em Tóquio, no Canadá ou na Austrália”.

Alceu Feijó Filho – Presidente do Aeroclube de Novo Hamburgo

http://blog.trenznegociosimobiliarios.com.br/2019/04/12/aerodromo-de-novo-hamburgo-formando-comandantes-de-boeing/

“Nesse vale tão bonito, entre a serra e o mar, onde fica Novo Hamburgo, minha cidade, meu lar”.

Délcio Tavares – Poeta, músico e compositor do hino da cidade

http://blog.trenznegociosimobiliarios.com.br/2019/04/05/um-hamburguense-de-coracao-nos-fez-esta-cancao/