SAÚDE PARA TODOS

Todos nós temos sonhos. Nassir Taha, um fronteiriço de Uruguaiana, trouxe para cá os seus. Após concluir a graduação em Educação Física na cidade de Bagé, ele veio de mala e cuia para Novo Hamburgo. Aqui, deu aulas em academias e continuou seus estudos na Universidade Feevale, onde cursou Fisioterapia e, depois, fez MBA em gestão empresarial.

Dr. Caio e Nassir: entre uma consulta e outra, o sonho transformou-se em realidade.

Nassir conta que antes mesmo de conseguir estruturar sua própria clínica de fisioterapia, já acalentava o sonho de poder estender o acesso à saúde aos mais necessitados. “Tinha isso comigo… Andava de um lado para o outro com essa ideia escrita numa pasta: oferecer várias especialidades clinicas para as classes D e E, que estavam longe de poder arcar com os custos de um plano de saúde privado.”

Como trabalhava demais, o sonho foi sendo postergado. Faltava tempo e, também, dinheiro e parceiros com quem pudesse contar plenamente. Através da clínica de fisioterapia, foi formando parcerias com médicos da área de ortopedia, inicialmente, e começou a prestar serviços em clínicas particulares. Conseguiu montar um serviço de fisioterapia para a prefeitura da cidade de Paverama e viajou, semanalmente, durante 7 anos para lá.

Mas foi nesse corre-corre que ele percebeu ainda mais claramente que sua ideia tinha valia. Na prefeitura havia uma demanda reprimida de várias especialidades. O tempo passou, o contrato com a municipalidade encerrou e Nassir conheceu, dentro de uma clínica para a qual prestava serviços, o Dr. Caio.

“Conversei com ele, falei sobre o projeto de criar uma clínica médica com especialidades a um custo acessível para a grande maioria da população. Tenho a satisfação de dizer que meu pensamento de criar uma clínica de baixo custo foi muito anterior a qualquer outra que surgiu em Novo Hamburgo.”

Firmada a sociedade, em 3 meses montaram, num local próximo à antiga rodoviária, a NH Saúde. A proposta era atender as demandas das prefeituras da região e as pessoas que não tinham plano de saúde ou tinham dificuldade para pagar uma consulta particular. Nesse ano, ela completou 10 anos.

NH Saúde: dez anos e com muita história para contar.

O perfil de atendimentos passou para pacientes da classe B e C, situação favorecida pelos preços exacerbados dos planos, que também obrigou as empresas que ofereciam o benefício para seus funcionários e tiveram que  reduzir seus custos. “Um diferencial da nossa clínica é que a grande maioria dos médicos estão conosco há 8/10 anos”, afirma.

A NH Saúde iniciou em 140 m². Atualmente, a sede tem 380 m² e já conta com especialidades na odontologia, serviços laboratoriais, fonoaudiologia, ecografia.” Além disso, montamos um ambulatório equipado para pequenos procedimentos cirúrgicos”, orgulha-se o sonhador e empreendedor Nassir.

Na NH Saúde, diz, existe a consciência de que é necessária a melhoraria constante dos serviços de atendimento ao paciente e qualificação da equipe como um todo. Esta meta deve ser permanente, conclui.

Quanto ao bairro Rio Branco ser um lugar interessante para empreender, as palavras do empresário são: “Sem dúvida, escolhemos o bairro desde o início pela facilidade das pessoas chegarem à clínica, vindos, inclusive, de outras cidades. Além disso, é um bairro de muito comércio, que está apenas a 300 metros do centro.”

Fotos: Divulgação

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O CHEIRO DA MADEIRA O ENCANTAVA

Formado na AFE (Arado, Foice e Enxada), o homem que criou e transformou em referência tecnológica uma fábrica de móveis em Novo Hamburgo me recebeu para falar da sua trajetória pessoal e empresarial. Fundador da Formóveis, marca vendida em todo o país, o senhor Waldir Ludwig fez de tudo um pouco na vida e nos mostra como a persistência é fundamental para alcançar o sucesso.

“Até os 17 anos eu trabalhei na roça. Por um período curto, fui empregado numa fábrica de móveis e aquilo mexeu comigo. Sempre tive alguma coisa com a madeira. Na escola, adorava fazer eram os trabalhos manuais. Tinha uma marcenaria no colégio e quando nos permitiam pegar as madeirinhas que iriam para o lixo, aquilo era tudo para mim. O cheiro da madeira me deixava encantado.”

Júlio, Waldir e Delci: da colônia para a cidade grande, produzindo móveis para todo o Brasil.

Aos 18 anos foi servir ao exército e, por ter o registro de marceneiro na carteira de trabalho, foi encarregado dessa área no regimento e sentiu a importância da profissão. Relembra as amizades que fez com oficiais que nunca teria acesso se não fosse pela marcenaria. “Eu era disputado, estava sempre lotado de coisas para fazer. Afinal, todo mundo tem sempre uma coisinha para arrumar em casa.”

Com 35 anos, resolveu deixar o noroeste do estado. Saiu de Três de Maio, com a mulher Delci e o filho Júlio, para tentar a sorte na cidade grande. Ao chegar em Novo Hamburgo, não buscou colocação no calçado, como todo mundo. Foi procurar emprego numa fábrica de móveis, claro. O proprietário não tinha vaga e sugeriu que ele fizesse artesanato para se manter. Fez porta-cuia e outros artigos que muitas vezes eram moeda de troca por comida nos mercados.

A esposa empregou-se como doméstica e como gostaram dela, a família para a qual trabalhava ofereceu uma casa na Vila Rosa. O jovem casal mudou-se de Canudos e foi no novo bairro que seu Waldir conseguiu o primeiro emprego numa marcenaria, depois de muito tempo fazendo artesanato e bicos.

A Formóveis fabrica móveis para todos os ambientes da casa.

“Nessa empresa, que era de móveis em série, fiquei por um ano. Depois fui trabalhar numa que fazia móveis sob medida, onde fiquei uns 2 anos e, posso dizer, foi lá a minha faculdade, aprendi a lidar com o cliente final entre muitas outras coisas importantes para quem quer ter o seu negócio. Aliás, sonho que eu tinha desde criança.”

Com o dinheiro da rescisão, percebeu que poderia dar entrada numas maquininhas e foi assim que sua história mudou. Teve algumas sociedades, comenta, mas chegou o momento de unir a família em torno do negócio e então começaram Delci, Júlio e ele, a Formóveis. “Todo serviço era feito de forma artesanal, cortando peça por peça. Isso foi durante uns 10 anos e já contávamos com 16 marceneiros.” Delci atuava como financeira e também como pintora.

A vida de trabalho lhe reservara um novo ciclo, mais tecnológico. “Eu estava contratando um novo funcionário e ligou um rapaz. Perguntei se era marceneiro e respondeu que “era quase” e precisava de uma chance. Convidei e ele veio conhecer a fábrica. Olhou para um lado, olhou para o outro e de repente me disse… Seu Waldir, posso lhe dizer uma coisa? O senhor vai me desculpar, mas o senhor está muito errado.. O senhor precisa investir em máquinas, em tecnologia.”

Como esse rapaz tinha vivenciado a transformação de uma outra empresa, que saiu dos móveis sob medida para os planejados, decidiram contratá-lo. O Júlio, filho do seu Waldir, entrou de cabeça na parte tecnológica, buscando softwares e alternativas novas, sempre com o aval da Formóveis. “Foi muito sofrida essa transformação, mas a gente confiou e, graças a Deus, conseguimos unir a tecnologia com minha experiência de marceneiro do passado. O Júlio foi uma peça-chave naquele momento e continua sendo até hoje.

Desde o início das atividades manteve-se na Av. Victor Hugo Kunz, no bairro Canudos.

Hoje a Formóveis é uma loja de fábrica que atende todo o Brasil. O software da empresa é instalado nos computadores dos lojistas, que fazem através do nosso sistema, o projeto e o orçamenta e, depois de aprovado pelo cliente, mandam para a fábrica em Novo Hamburgo produzir as peças.

Pergunto se Canudos é um bom lugar investir. O fundador da Formóveis responde com emoção: Eu amo Canudos. Para mim Canudos e Novo Hamburgo são tudo. Não troco por nada!

 

NOSSO SEGUNDO LAR

Quando perguntam onde eu moro, respondo: em Novo Hamburgo. Acredito que a maioria das pessoas coloca a cidade antes da sua rua ou do bairro, quando confrontadas com esta questão. Não é assim com você também? Residir em Novo Hamburgo, todavia, é uma escolha pessoal. Nem eu e nem você somos obrigados a viver neste ou naquele lugar. Optamos por uma cidade porque nos familiarizamos com ela, com sua cultura, com sua infraestrutura, seus hábitos, oportunidades, sua gente. Nos identificamos tanto que quando voltamos de uma viagem, por exemplo, o sentimento é, literalmente, o de chegar em casa.

Novo Hamburgo de antigamente criou memórias inesquecíveis para as futuras gerações. (Foto: Acervo Felipe Kuhn Braun)

Óbvio que cada um tem preferências, particularidades, necessidades e restrições para optar por se estabelecer numa zona ou outra do município. Famílias há muito estabelecidas têm raízes mais profundas, formam relações de amizades e deixam bens imóveis que, as vezes, passam de geração em geração. Mas se não houvesse intimidade destes com o lugar, certamente os agraciados por uma herança dela se desfariam e mudariam de mala e cuia para onde melhor lhes aprouvesse.

As primeiras grandes cidades desenvolveram-se na Mesopotâmia, mais especificamente, em torno do Rio Eufrates, em torno de 3500 a.C, conta a história. Surgiram como assentamentos onde o comércio, o estoque da produção agrícola e o poder foram centralizados e onde os habitantes passaram a trabalhar em ocupações mais especializadas. Essas sociedades deram origem às civilizações, que através da união em torno de conceitos próprios ou até mesmo apropriados de outros povos, estimularam o desenvolvimento.

Esta breve viagem no tempo serve apenas para estimular aqui uma reflexão: numa vila neolítica ou em uma metrópole contemporânea, continuamos precisando uns dos outros para que boas práticas, boas ideias e soluções possam ser mais abrangentes, melhor resolvidas e ofertadas a todos aqueles que participaram, de uma forma ou de outra, dessa construção social que identificamos como “nossa cidade, minha cidade”. Se estou aqui porque me identifico, porque quero aqui estar, nada mais justo do que colaborar.

O projeto que temos neste sentido – e sobre o qual já havia dado algumas referências, feito alguns comentários – em função do Coronavírus terá que ser, definitivamente, adiado para o próximo ano. É uma proposta absolutamente inclusiva, ampla e democrática, que exige apenas olhar para fora, para o mundo, olhar para nós, para dentro e, então, focar o olhar novamente no futuro. Mas deixemos para depois.

Novo Hamburgo tem história e origem. E a sensação de pertencimento nos leva a cumprir um papel importante para o seu desenvolvimento. (Foto: divulgação)

Somos todos Novo Hamburgo e quando essas nuvens da pandemia se dissiparem precisaremos estar mais convictos do que nunca disso. Afinal, é nosso segundo lar. O primeiro é e sempre será aquele que é só seu e da sua família, mas que ainda assim faz parte de um jeito nosso de ser.

CIDADANIA

Palavra linda esta, que tem sofrido tantos danos que em alguns anos, o desgaste será de tal monta que seu significado poderá perder o verdadeiro sentido: a prática dos direitos e deveres de um indivíduo numa cidade ou estado. Direitos e deveres esses que devem andar sempre juntos, uma vez que o que é facultado a um cidadão implica, necessariamente, numa obrigação de outro.

O direito à vida é o mais importante de todos. E é respeitando a ele que temos dado exemplo. “No enfrentamento desta pandemia, nossos empresários entenderam a importância do momento e, apesar da preocupação e extrema dificuldade surgida para os seus negócios, assumiram uma postura muito responsável perante a situação.” Palavras ditas pelo Secretário do Meio Ambiente Udo Sarlet, também coordenador do setor de fiscalização do município.

Udo Sarlet: algumas atividades foram autorizadas a voltar, mas as pessoas entenderam que não há mais riscos.

É elogiável que empreendedores, muitos dos quais colocaram suas economias, seu esforço, suas horas de lazer na construção de um sonho,  tenham a capacidade moral de priorizar o outro para que o todo se mantenha, se sustente. Temos visto, país afora, um profundo desrespeito de uns com os outros. E aqui, em Novo Hamburgo, podemos ter a esperança de passar pelo ano mais difícil dos últimos tempos, unidos e esperançosos por um novo amanhã.

Há quem possa entender estas linhas como ridiculamente sentimentais. Mas tenho orgulho de ser hamburguense mais uma vez, de ser daqui e saber que tenho ao lado alguém que quer meu bem e não meu mal. Um empresário que quer ver render seu capital, mas olha o social. No contexto geral da pandemia no Brasil, estamos nos saindo relativamente bem. Com o auxílio e compreensão de todos e de toda a comunidade!

O Secretário Udo Sarlet confidenciou que “- Ficamos sensibilizados ao conversar com donos de bares, pubs e restaurantes noturnos, por exemplo, que não sabem como vão manter seus negócios. Essa consciência está também na indústria e nos mais diversos tipos de comércio, mas é importante ressaltar esses pequenos batalhadores. Nosso papel fiscalizador, claro, encontrou situações adversas, mas a grande parte de nossa atuação tem sido a de cientificar. ”

Bancas: o cuidado com o distanciamento social chegou nesta semana com a retirada das mesas e assentos.

Pegar juntos, estar juntos nas dificuldades é o que nos faz sociedade. Somos todos Novo Hamburgo e vamos superar isso. E bem-vindo seja o investimento do Santander, que vai gerar 4.500 empregos aqui. Num momento de tanto lamento, o valor deste coletivo nos recompensa com uma magnífica notícia. E porque escolheram se instalar aqui e não em outro lugar? Talvez a resposta esteja no título.

Fotos: Divulgação

 

 

PELA CIDADE

Foi por aqui que minha vida se sucedeu até agora. Foi nessas ruas, escolas e praças; nas festas de igreja, nos grupos de amigos, nas alegrias e nas tristezas que fazem a gente ser Novo Hamburgo, que eu me criei. Ando por aqui faz 61 anos. Desde que nasci, no bairro Hamburgo Velho. Vi crescer a cidade, florescer os talentos, esmaecer esperanças. Nunca vi, entretanto, esmorecermos diante de dificuldades.

Junto com o desenvolvimento, cresceu a demanda por estrutura para facilitar a vida dos cidadãos.

Outro dia, me peguei pensando: “Nossa cidade vai mudar com a pandemia?”. Creio que sim, essa coisa já mudou os planos de todos nós, mudou a gente. Mas cada um é um pedaço da cidade e é juntos que fazemos a vizinhança, o bairro, as conquistas… Nos desejamos bom dia!, nos fazemos gentilezas, sustentamos nossas vidas. Então, creio que vamos mudar para melhor. De novo, como tantas outras vezes, sob diferentes enfrentamentos, ao cabo somos todos Novo Hamburgo.

Minha crença no futuro foi reforçada no programa da Vale TV, semana passada, sob o comando do Rodrigo Steffen e com a participação da Cinara de Araújo Vila, Procuradora do Município, e do Marciano Fuchs, meu amigo e fundador da Y Ideas. Nossos pensamentos convergem e cada vez mais descubro gente que quer construir, ficar aqui, fazer parte de uma unidade que se orgulha de si própria. Aliás, pude confirmar a qualidade da audiência do Estação Hamburgo pela quantidade de manifestações nas minhas redes sociais, expressando carinho e incentivo para continuar o trabalho que venho desenvolvendo.

Em meio a tantas incertezas que ainda nos cercam, estamos com saudades das festas com os amigos e familiares.

A propósito, meus últimos movimentos foram no sentido de melhorar minhas percepções sobre às expectativas que os hamburguenses têm com relação ao trabalho dos corretores de imóveis. Conhecer os acertos e os erros dos profissionais, o que as pessoas querem, o que elas esperam. O retorno foi muito bom e a contribuição me será muito útil. No momento, estamos voltados novamente para os bairros. Logo, logo vocês terão notícias.

Continuo andando por aí, pesquisando, descobrindo Novo Hamburgo. E sempre que puder desfrutar da sua companhia e sugestões nessa jornada, esse processo só vai melhorar.

Fotos: Divulgação

ESTAÇÃO HAMBURGO

Foi num momento de instabilidade que comecei a pesquisar nossa cidade, hábitos, passado, presente, visando apurar meu olhar e me qualificar no mercado imobiliário. Hoje, quem diria, sou convidado para participar de programa de TV. Sim, gravamos hoje, via Skype, o Estação Hamburgo, que vai ao ar amanhã, sexta-feira, às 21h, pelo canal 14 da Net, mas que também pode ser assistido pelo Facebook e outras plataformas.

A Vale TV foi o primeiro canal de TV de Novo Hamburgo com transmissão regular ao vivo. Inaugurada em maio de 2009, é mais um daqueles tantos motivos que temos para nos orgulhar do lugar em que vivemos. No programa apresentado pelo Rodrigo Steffen, tive a companhia de dois outros apaixonados pela cidade: a Procuradora do Município Cinara de Araújo Vila, e o Marciano Fuchs, sócio-fundador de agência de comunicação hamburguense YIdeas. São novos tempos e repletos de novidades e desafios também.

A tecnologia possibilitou que gravássemos o programa cada um na sua casa, respeitando as regras do distanciamento social, aliás, outro fator do qual podemos nos envaidecer nestes tempos difíceis: a antecipação das ações realizadas pela prefeitura e a aderência da comunidade aos cuidados necessários para evitar a expansão do contágio pelo Coronavírus nos colocou numa posição um pouco mais confortável, se é possível usar esta expressão, diante de uma situação tão dramática de saúde.

A sua trajetória, a minha, a de cada um de nós, são só alguns exemplos do quanto somos competentes para vencer obstáculos, construir pontes, atravessar dificuldades. Sem esquecer que nossa querida cidade também surgiu da dificuldade. Está lá no Google e nos livros de história: a falta de recursos para concluir a estrada de ferro Porto Alegre-Hamburgerberg, em 1876, fez com que os ingleses que a construíam erguessem uma estação onde a obra parou, denominando-a New Hamburg-Novo Hamburgo. O local, até então um descampado, começou a atrair moradores e comércio, dando início à cidade.

Tenhamos paciência, coragem, fé e espírito comunitário. E assim tudo dará certo na nossa Novo Hamburgo. Ao Rodrigo Steffen, um abraço cordial e meu muito obrigado. Para vocês todos que me leem, um ótimo final de semana, com chuva! E assistam o programa na Vale TV.

 

 

PERDÃO, ME EXPRESSEI MAL

As vezes o tiro sai pela culatra. Não estou abandonando coluna, blog, pesquisas, nada. Estou trocando um plano de abordagem por outro. Só isso. E espero que continue sendo merecedor da atenção e da participação de todos vocês.

Queria fazer este esclarecimento em respeito as muitas mensagens de carinho que recebi de hamburguenses que, como eu, gostam de Novo Hamburgo. Gente que entendeu que eu estava abandonando nossas conversas, nossos encontros. Nada disso. Cada vez mais, acredito que vivemos numa comunidade interessante, que vale a pena investir.

Somos todos Novo Hamburgo e o nosso futuro é a gente que faz.

ATÉ MAIS VER

Infelizmente, neste momento, vou ter que me despedir, dar um até logo. Não economizei esforços, dediquei-me com intensidade e, com o apoio incondicional da revista Expansão, onde escrevo mensalmente, iniciei contatos com entidades e parceiros diversos para a realização de um projeto muito bacana, que diz respeito a todos nós que somos e vivemos Novo Hamburgo. O cenário atual, imprevisível, nos obriga a mudanças. E postergar essa ideia que não posso dizer o nome é obrigatório.

É difícil se desligar de algo com o qual se passou horas, semanas, meses sonhando, curtindo, planejando. Mas como dizem os mais sábios, quando não há solução, solucionado está. Então, aqui no blog, na coluna da Expansão, no Boletim dos Associados da ACI, terei que mudar o foco, adotar outra abordagem para continuar falando daquilo que gosto.

Se me permitem voltar um pouco no tempo, essa história de falar sobre Novo Hamburgo e colocar a cidade como centro absoluto do meu trabalho comercial e institucional originou-se há cerca de 6 anos, com uma pesquisa sobre os bairros. Friso, sempre, que foi um estudo particular, sem caráter científico, com um único objetivo: aprimorar meu conhecimento e melhorar meu atendimento aos clientes que buscavam um imóvel na cidade. O assunto foi me envolvendo e aqui estamos, eu e você, falando sobre nossa aldeia, o que acho ótimo. Só que o projeto 2020 vai ser 2021 e vamos para o plano B, que virou plano e virou B por absoluta necessidade.

Eu já vinha fazendo uma reedição da pesquisa sobre os bairros. Outra vez, só queria espiar o mercado, compreender e entender o que as pessoas gostam, o que elas não gostam, o que falta, o que poderia valorizar cada bairro… Preciso saber disso, senão, como vou dar uma boa assessoria para os clientes que me procuram? Qual minha surpresa quando me descubro de novo no início do caminho!

A história se repete: Jorge Trenz volta algumas casas no jogo. Retorna à proposta original de simplesmente entender Novo Hamburgo. Será que as respostas serão as mesmas? Parecidas? Ou o contexto alterou, as percepções mudaram? É isto que vamos, juntos, começar a desvendar agora. Adianto, com alegria, que houve um bom número de participações. Vamos eleger os assuntos mais destacados no geral e, depois, falar com quem responde por cada área. Espero que possa despertar o seu interesse e continuar tendo sua importante e adorável audiência.

 

 

 

ME DÁ UM ABRAÇO!

Nas partidas e nas chegadas, o abraço é o climax. Depois dele, a vista vai ficando distante, o cenário vai se transformando, sensações diversas se misturam e… Nosso mundo muda!  O inverso também acontece. Antes dele, o abraço, o coração acelera, os sentimentos se projetam desordenados à frente dos acontecimentos; uma história fica para trás, a imagem dos amores e das coisas da gente vai clareando e… Voltei! Que viagem! É outra vida.

Abraço é partida, é chegada… é dizer tudo, sem falar nada.

Confinados, não damos e não recebemos abraços. Não há partidas, não há chegadas. Novidades? Não temos tantas assim. Adiamos tudo. Paramos tudo. Aquele beijo ficou para depois. Aquele sonho vai ficar para depois. Nossos projetos vão ter que esperar. Mas o tempo passa, o tempo voa. Logo, logo o abraço volta. O sorriso reaparece. O vai e vem do mundo acontece outra vez.

Que a gente aprenda a valorizar o abraço antes da ausência.

Quando tudo ficar “normal” novamente – e que seja logo – gostaria que você olhasse, se inteirasse e participasse do projeto que estamos tendo que segurar, porque envolve abraço, emoção, ir e vir, olhares, expectativas, conquistas. Ele envolve o mundo e um mundo de coisas que, talvez, o afastamento temporário nos faça perceber: somos muitos e somos só um que depende do outro.

As viagens alargaram as fronteiras e os conhecimentos da humanidade. Desvendaram novas terras, novos ares. Quantas descobertas: seda, especiarias, cores, diferentes amores. É tanta coisa, tanta mudança. As línguas, as roupas, os cantos, as crenças. A descoberta transforma e trazê-la para a realidade da aldeia é como um presente especial.

É nesse pensamento que queremos agregar pessoas com interesses no desenvolvimento de Novo Hamburgo. Como consultor imobiliário, tenho defendido que o patrimônio de cada um se valoriza quando o todo é valorizado. Uma solução que se vê ali no município vizinho ou lá naquela esquina distante de outro continente, pode ser a chave para resolver ou aprimorar alguma coisa aqui. Mas se ninguém trouxer a ideia, se ninguém falar, se ninguém revelar, como saber?

O abraço do reencontro sempre é o mais importante.

Do trabalho e da visão dos que nos precederam, ficou um legado invisível: a inserção que temos no comércio global nos faz viajar muito, enxergar coisas sob diferentes ângulos. O que o arquiteto vê, o empresário não percebe. A visão do educador, do médico, do desenvolvedor de sistemas, é diferente da do escritor. Mas todas contribuem para construir o amanhã. Na volta da viagem, um abraço e um presente surpresa, até nossa cidade quer. Aguarde!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

LAR DOCE LAR

Velha conhecida nossa, a frase aí do título resume bem e com profunda sabedoria emocional o que representa o lar, esse casulo que nos recebe e nos acolhe, faz nos sentir gente e nos dá segurança e coragem para acordar e ir à luta pela manhã e retornar para o merecido descanso à noite. Há várias significâncias contidas nestas três palavrinhas, todas carregadas do mais sincero sentimento. Não há nada como o nosso lar!

Lar é aconchego, é acolhimento, é ninho!

Neste período de confinamento, então, onde nossas rotinas foram fortemente afetadas e nossos hábitos transformados, o imóvel de cada um foi alçado a um protagonismo sem precedentes. Nunca passamos tanto tempo em casa. Gostando dela ou com planos de deixá-la apenas nas lembranças das histórias da vida, todos fomos obrigados a enxergar o lar de novo como lar, e não apenas como um lugar.

Passada a pandemia, entretanto, voltarão os desejos, as trocas, os negócios. Nós, humanos, somos assim. Queremos mudar, evoluir, respirar outros ares, esquecer um passado recente, construir um futuro ao lado de alguém ou longe, bem longe, quem sabe? É a vida, e para bem vivê-la, todos precisam de um lugar para chamar de seu. Melhor ainda, se puder chamar de lar.

Eis aí uma sutil diferença que anos de experiência no mercado imobiliário me fizeram perceber. Quando um cliente busca uma casa, um apartamento, não é só isto que procura. Exceto quando é o primeiro imóvel, naturalmente visto como investimento para potencializar um up-grade ali na frente, encontrar o imóvel pretendido é como querer encontrar um amor.

Nosso lar: é onde podemos ser o que realmente somos.

Um imóvel é sempre mais que um endereço, mais que uma representação social. Mesmo que estas características pesem na escolha, no fundo no fundo, procura-se um local único, exclusivo, com características bem próprias para receber a algazarra das crianças ou o silêncio dos eruditos, dos observadores…

Na minha reclusão, tempo para pensar não tem faltado. Torço que possamos voltar logo a nos relacionar, sonhar e desejar aquele lugar, pois estarei ainda mais preparado para entender o tipo de imóvel que cada um quer ter.